Ir para o conteúdo
1 novembro 2026

Senador Flávio Bolsonaro aprova PEC que elimina jornada 6×1

Flávio Bolsonaro surpreende ao apoiar a proposta que põe fim à escala 6×1, gerando novo debate sobre jornada flexível.

Senador Flávio Bolsonaro aprova PEC que elimina jornada 6×1

Na quarta-feira (14), o Senado aprovou a proposta constitucional que elimina a jornada de trabalho 6×1. O voto final contou 75 senadores a favor e apenas um contra, Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Entre os que marcaram presença na sessão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou o apoio, embora não tenha participado das discussões nas cinco reuniões anteriores.

Como se deu o apoio de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro compareceu ao plenário apenas para registrar o voto. Na terça-feira (13), após deixar a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, o senador declarou que votaria “a favor” da medida, citando a frase: “a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”. Até então ele vinha criticando a proposta, apontando dúvidas sobre os efeitos da redução de jornada no emprego e nos custos das empresas.

Detalhes da PEC aprovada

A emenda constitucional estabelece jornada máxima de 40 horas semanais com dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A transição será feita em duas etapas: primeiro, a carga horária cairá para 42 horas e, em até 14 meses será atingido o limite de 40 horas. A proposta foi aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas o voto contrário de Mourão.

Alternativa de jornada flexível

Ao mesmo tempo, o grupo político de Flávio tem defendido um modelo de flexibilidade nas contratações. Essa linha foi apresentada por Rogério Marinho (PL-RN) e prevê contratos de remuneração proporcional às horas trabalhadas, permitindo que empregadores e empregados ajustem a escala conforme necessidade. A proposta prevê que a redução de carga horária implique diminuição proporcional do salário, ao contrário da PEC aprovada, que mantém salário integral.

Repercussão política e planos futuros

Mesmo apoiando a PEC, Flávio Bolsonaro não abandonou a ideia de flexibilizar a jornada. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, afirmou que, caso o filho de Jair Bolsonaro vença a eleição presidencial, pretende avançar com a proposta de Marinho ainda em 2027. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma das articuladoras da pauta, alertou que o PL poderia rever as regras após as eleições, citando a tendência de “revogar qualquer decisão” caso obtenha maioria no Congresso.

Impacto nas empresas e nas negociações

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) já manifestou resistência ao fim da escala 6×1, alegando prejuízos para o setor e defendendo a alternativa de negociação direta. Flávio, ao se posicionar a favor da PEC, tentou equilibrar a demanda popular com a preocupação empresarial, indicando que “quem vai pagar a conta é o governo”, sem detalhar como os custos seriam absorvidos.

Com a conclusão dos dois turnos, a PEC segue para promulgação pelo Congresso Nacional. Se mantida, a mudança representará a primeira redução constitucional da jornada de trabalho no país, alterando a regra que vigia 44 horas semanais desde a década de 1940.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.