O saneamento básico é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável de qualquer comunidade. No entanto, no Brasil, essa infraestrutura ainda é um desafio em muitas regiões. Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental destaca que a ausência de redes de esgoto, tratamento de água e coleta adequada de resíduos gera prejuízos econômicos significativos, afetando diretamente a produtividade e o orçamento dos municípios.
Os efeitos da falta de saneamento básico são amplos e multifacetados. Eles se estendem desde o aumento de gastos com saúde até a perda de produtividade, passando pela redução da arrecadação e a menor atratividade para investimentos. Neste artigo, exploramos como esses problemas se manifestam e como a gestão pública pode transformar o saneamento em um vetor de desenvolvimento local.
Os custos indiretos na saúde pública
A falta de tratamento adequado de água e esgoto favorece a proliferação de doenças de veiculação hídrica, como diarreias, hepatite A e verminoses. Segundo Odair José Mannrich, cada internação decorrente desses quadros representa um gasto direto para o sistema público de saúde, recursos que poderiam ser direcionados a outras prioridades sanitárias.
Além disso, famílias afetadas por doenças recorrentes gastam mais com medicamentos e consultas, reduzindo sua capacidade de consumo em outros setores da economia local. Esse efeito cascata impacta diretamente o comércio e os serviços da região, criando um ciclo de pobreza e estagnação econômica.
Perda de produtividade e desenvolvimento infantil
Trabalhadores adoecidos por falta de saneamento básico se ausentam do emprego com mais frequência, o que resulta em perda de eficiência para as empresas e atrasos em contratos. Esse é um dos efeitos mais subestimados quando se discute infraestrutura sanitária no país.
Além do absenteísmo, há o impacto sobre o desenvolvimento infantil. Crianças expostas a ambientes insalubres adoecem mais e faltam mais à escola, comprometendo sua formação educacional. No longo prazo, isso reduz a qualificação da força de trabalho disponível nos municípios menos assistidos, perpetuando o ciclo de pobreza.
Efeitos econômicos indiretos
Municípios com infraestrutura sanitária precária enfrentam diversos obstáculos econômicos. Entre os principais reflexos estão a redução na arrecadação de impostos, a valorização imobiliária estagnada, os custos ambientais elevados e a menor competitividade turística.
Empresas evitam se instalar em regiões sem infraestrutura básica, o que reduz a arrecadação de impostos. Áreas sem saneamento têm menor atratividade para moradia e comércio, estagnando a valorização imobiliária. A contaminação de rios e solo exige investimentos futuros em recuperação, aumentando os custos ambientais. Além disso, destinos sem saneamento adequado perdem visibilidade e visitantes, reduzindo a competitividade turística.
Conforme enfatiza Odair José Mannrich, o problema não fica restrito ao campo sanitário. Ele se converte em barreira concreta para o crescimento econômico dos municípios, afetando desde a geração de empregos até a capacidade de investimento em outras áreas essenciais.
Transformando o saneamento básico em desenvolvimento
Investir em saneamento básico não é apenas uma questão sanitária, mas uma decisão estratégica que define o ritmo de desenvolvimento dos municípios. Cada avanço nessa área reduz custos ocultos, fortalece a saúde da população e amplia a capacidade produtiva local.
Os gestores que enxergam o saneamento como um investimento, e não como um gasto, colhem resultados mais consistentes ao longo do tempo. Repensar prioridades orçamentárias nesse sentido pode ser o passo decisivo para que municípios brasileiros alcancem um crescimento econômico mais sólido e para que a universalização do saneamento no Brasil seja atingida.



