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28 setembro 2026

Como a IA pode influenciar o voto nas eleições brasileiras

Especialistas alertam sobre o perigo da IA nas urnas, enquanto o TSE define regras e projetos de checagem se multiplicam.

Como a IA pode influenciar o voto nas eleições brasileiras

A inteligência artificial tornou-se tema central na discussão sobre a próxima disputa eleitoral. Em segunda-feira (28) o programa Caminhos da Reportagem será exibido às 23h30 na TV Brasil e no canal oficial do YouTube, abordando como a tecnologia pode mudar a dinâmica da informação e da desinformação nas urnas.

O TSE já editou normas específicas para o uso de IA nas peças de campanha. Embora a ferramenta não seja proibida, a legislação obriga que qualquer áudio, vídeo, texto ou imagem gerada por IA seja identificado de forma clara e destacada. As plataformas digitais, por sua vez, têm a obrigação de remover imediatamente conteúdos rotulados como “fake news”. Essa medida busca impedir que a tecnologia seja empregada para manipular eleitores.

Especialistas apontam vulnerabilidades nas redes sociais

Entre os convidados do programa, destaca-se Sérgio Lüdtke jornalista e editor-chefe do Comprova projeto da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Lüdtke enfatiza que a atenção do público nas redes sociais é extremamente curta, o que facilita a aceitação de fragmentos produzidos por IA sem contexto. Ele alerta: “Uma peça de desinformação pode mudar o resultado de uma eleição. Como mexe com a decisão das pessoas, isso pode causar grandes problemas para a nossa democracia”.

O escritor e professor de direito eleitoral digital Diogo Rais complementa a análise ao destacar a responsabilidade legal dos autores de conteúdo. Segundo Rais, “Fica a dúvida: a Justiça Eleitoral pode e deve fiscalizar como ela fiscaliza os candidatos? A resposta é que a nossa legislação não faz distinção. A legislação acaba dizendo o seguinte: quem publica o conteúdo é responsável por ele”. Essa assertiva reforça que, independentemente de ser candidato ou apoiador, quem divulga material deve responder por sua veracidade.

Polícia Federal e a investigação de perfis ilícitos

O delegado Henrique Oliveira Santos da Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais da PF aponta que o maior desafio são perfis de redes sociais criados por pessoas que não são candidatas, mas que acreditam estar fora do alcance da lei. Santos afirma: “O que não é verdade, porque nós temos ferramentas de investigação para encontrar não só a materialidade, mas também descobrir autorias”. Assim, a Polícia Federal dispõe de recursos técnicos capazes de rastrear a origem de conteúdos falsos ou manipulados.

Iniciativas de checagem e alfabetização digital

Diversas organizações têm empreendido projetos de verificação e educação para reduzir o impacto da desinformação. O Coar Notícias nascido no Piauí, desenvolveu manuais regionais de checagem, como o “Arriégua” para o Nordeste, que servem de referência para outras áreas. Marta Alencar, pesquisadora do Coar, ressalta que entender a origem das informações amplifica seu efeito nos cotidianos das pessoas.

No âmbito da educação, o Sesc do distrito federal oferece cursos de letramento digital voltados para idosos. A professora Gabriela Araújo da Paz explica que o conteúdo aborda o uso da IA, ajudando os participantes a identificar notícias falsas e buscar fontes oficiais. Uma aluna, Rosa Correia Mento de 69 anos, relatou que antes via a IA como “bicho-papão”, mas o curso a fez compreender a importância de estar informada.

O programa Caminhos da Reportagem promete ainda destacar outras ações que unem tecnologia, jornalismo e educação para proteger a democracia. Ao reunir especialistas, autoridades e projetos de base, a edição de segunda-feira (28) pretende oferecer ao público um panorama completo dos riscos e das respostas institucionais frente à inteligência artificial nas eleições.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.