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17 setembro 2026

CVM multa Daniel Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário Brazil Realty

A Polícia Federal e a CVM investigam um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e fundos imobiliários, com prejuízos a regimes próprios de previdência.

CVM multa Daniel Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário Brazil Realty

A Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão investigando um complexo esquema de fraudes que envolve o Banco Master Daniel Vorcaro e Benjamim Botelho. As investigações, que começaram em 2020, revelaram operações suspeitas que afetaram regimes próprios de previdência social de municípios, incluindo o de Rolim de Moura, em Rondônia.

Em 26 de maio de 2025, a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar operações financeiras envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e Benjamim Botelho, proprietário da antiga Foco Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, posteriormente renomeada para Sefer, que foi liquidada pelo Banco Central. A investigação teve origem em uma denúncia anônima que relatava operações suspeitas envolvendo o Banco Master e a Foco.

Operação Fundo Fake e as investigações da Polícia Federal

A Operação Fundo Fake, deflagrada em julho de 2020, investigou suspeitas de fraudes envolvendo aplicações de regimes próprios de previdência social de municípios. A apuração teve origem em investimentos do instituto de previdência de Rolim de Moura e avançou sobre outros municípios. A Polícia Federal informou que cerca de R$ 500 milhões de recursos de RPPS haviam sido aportados nos fundos sob investigação.

Entre os nomes investigados estavam, além do Banco Master e da Foco, diversas empresas como Brazil Realty FII, Centara Investimentos, São Domingos FII, BR Hotéis FII, Monte Carlo FI, Brazilian Graveyard and Death Care Services FII, Mérito Desenvolvimento Imobiliário FII, Entre Investimentos e Participações, Master Holdings, Leads Cia. Securitizadora, ConfiAnza Securitizadora, Lever Securitizadora, Base Securitizadora, Reag Securities e LA Shopping Centers.

Multas aplicadas pela CVM

Em 8 de outubro de, a CVM condenou Daniel Vorcaro a pagar uma multa de R$ 20 milhões por uma operação do fundo imobiliário Brazil Realty considerada fraudulenta. O Banco Master foi multado em R$ 12,5 milhões. Ao todo, sete pessoas e nove empresas foram punidas, com multas totais chegando a R$ 201 milhões.

O processo investigou a utilização de ativos sobreavaliados e operações no mercado secundário. A CVM identificou R$ 5,8 milhões em prejuízos realizados para investidores, incluindo fundos com regimes próprios de previdência de servidores entre seus cotistas.

Como funcionava o esquema

Segundo a acusação, o esquema envolvia a sobreavaliação de imóveis e outros ativos usados na composição do fundo. A investigação apontou problemas em laudos usados para determinar o valor dos bens e operações destinadas a criar liquidez artificial para as cotas no mercado secundário.

A Entre Investimentos, por exemplo, realizou 177 operações, envolvendo aproximadamente R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas. A empresa afirmou que as operações tinham como objetivo proporcionar liquidez aos investidores. No entanto, a CVM considerou que a dinâmica permitia que investidores comprassem as cotas com base em valores artificialmente elevados.

Outros condenados

Além de Daniel Vorcaro e do Banco Master, o processo alcançou pessoas e empresas relacionadas às operações investigadas. Entre os condenados estão Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, e Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário. Também foram punidos a Viking Participações, ligada a Daniel Vorcaro, a Entre Investimentos e seu responsável, além de outros envolvidos e empresas.

As multas individuais ficaram entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões, conforme as penalidades estabelecidas no julgamento. Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos.

Os condenados podem recorrer da decisão ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). O processo da CVM é independente das investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.

A defesa de Daniel Vorcaro negou que existam provas individualizadas de uma conduta irregular atribuível ao ex-banqueiro. Durante o julgamento, a advogada Ana Paula Casagrande questionou a existência de elementos concretos que demonstrassem que Vorcaro teria utilizado meios fraudulentos para induzir investidores ao erro.

Os acusados também contestaram as irregularidades apontadas no processo e sustentaram que as operações seguiram as regras do mercado. A CVM, por sua vez, considerou que os documentos reunidos no processo eram suficientes para caracterizar a operação fraudulenta e responsabilizar os envolvidos.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.