O ex-banqueiro Daniel Vorcaro dono do Banco Master foi ouvido pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma audiência que contou com a presença do Ministério Público (MP) mas sem a participação da Polícia Federal (PF). O depoimento, realizado na semana passada, foi motivado por relatos de graves intimidações sofridas por Vorcaro.
Em uma nota divulgada nesta quarta-feira, 02, o ministro André Mendonça explicou que a ausência da PF foi uma medida para garantir a incolumidade física e psicológica do depoente. A audiência foi conduzida por um juiz auxiliar e seguiu as normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que determinam o afastamento da equipe policial responsável pela investigação em determinados atos.
Depoimento de Vorcaro e as investigações do Banco Master
O depoimento de Vorcaro ocorreu após um pedido expresso de sua defesa, que alegou que o ex-banqueiro vinha sofrendo intimidações graves. A nota divulgada pelo gabinete de Mendonça destacou que o procedimento foi regular e que a presença do MP é uma exigência legal em audiências dessa natureza.
O conteúdo da audiência está sob sigilo legal mas o ministro negou que temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes tenham sido abordados. A investigação em questão faz parte da Operação Compliance Zero que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
Repercussões políticas e declarações de Tarcísio de Freitas
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas candidato à reeleição, foi questionado sobre a relação de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes e o senador Flávio Bolsonaro seu aliado. Tarcísio afirmou ser favorável a toda a transparência e investigação profunda destacando a importância de responsabilizar os envolvidos.
— Sou favorável a toda a transparência, toda a quebra, toda a divulgação. A gente só vai retomar a confiança nas instituições a partir do momento que você tiver transparência, investigação profunda, responsabilização. Tudo que está oculto tem que ficar às claras — afirmou o governador.
Tarcísio também comentou sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, referente a repasses para a produção do filme Dark Horse sobre a vida de Jair Bolsonaro. O governador reiterou que não vê relação com sua campanha e que as investigações devem seguir seu curso.
Flávio Bolsonaro e as investigações do filme Dark Horse
No dia anterior, uma reportagem da revista Piauí revelou que Flávio Bolsonaro recebeu um total de US$ 12,3 milhões de Vorcaro, valor superior ao anteriormente noticiado. O novo repasse ocorreu em setembro do ano passado oito dias após o senador cobrar Vorcaro pelo atraso em parcelas combinadas.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL reagiu às perguntas sobre o assunto durante uma agenda em São Paulo. Ele criticou a mídia por focar em questões que considera privadas e defendeu que o governo atual deve prestar contas.
— Gente, olha só, vocês vão parar no tempo? O Brasil tá lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado e vocês querem insistir em uma relação privada, de um filme privado que não tem partilha pública de nada? — afirmou Flávio.
As investigações envolvendo o Banco Master e as relações de Vorcaro com autoridades continuam a gerar polêmica e a atrair a atenção da mídia e do público. Enquanto isso, o ex-banqueiro permanece preso desde março deste ano, e as revelações continuam a surgir, alimentando o debate sobre a transparência e a responsabilização no âmbito das instituições brasileiras.



