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19 setembro 2026

Dente de T. rex revela que predador era de sangue quente

Dentes de T. rex revelam que o gigante do Cretáceo tinha temperatura corporal próxima à humana.

Dente de T. rex revela que predador era de sangue quente

Recentes investigações químicas em fragmentos dentários de Tyrannosaurus rex trouxeram à tona evidências de que o temido predador do final do Cretáceo mantinha um metabolismo muito mais ativo do que se acreditava. A pesquisa, liderada por Randon Flores e Robert Eagle, ambos da Universidade da Califórnia em Los Angeles, utilizou um termômetro molecular baseado em isótopos para estimar a temperatura corporal média dos espécimes analisados.

Três dentes, dois pertencentes ao mesmo indivíduo, foram extraídos da formação Hell Creek, em Montana – um dos sítios fósseis mais ricos dos Estados Unidos. Como contraste, foram estudados também cinco dentes de crocodilídeos encontrados na mesma camada geológica, servindo de referência para um réptil de sangue frio.

Método isotópico e resultados obtidos

O procedimento parte da relação entre os isótopos pesados oxigênio-18 e carbono-13 presentes no esmalte dental. Durante a mineralização dos dentes, esses átomos se incorporam em proporções que variam conforme a temperatura interna do organismo. Em seres vivos atuais, a correlação entre a razão 18O/13C e a temperatura corporal já está bem estabelecida, permitindo que os pesquisadores invertam a relação e reconstrua a temperatura de animais extintos.

Aplicando essa calibragem aos fósseis de T. rex, os autores calcularam uma temperatura média de 36,3 °C com margem de erro de ±2,5 °C. Essa faixa coincide com a de grandes mamíferos contemporâneos, como elefantes, e também com a temperatura corporal humana típica. Em contraste, os dentes de crocodilídeos apresentaram média de 30,9 °C refletindo a fisiologia de animais ectotérmicos.

Implicações para a biologia e o estilo de vida dos dinossauros

Esses números reforçam diversas linhas de evidência que já sugeriam um alto nível de regulação térmica nos dinossauros. Primeiro, as aves – descendentes diretas dos terópodes – são homeotérmicas ou seja, mantêm temperatura constante independentemente do ambiente. Segundo, estudos de microestrutura óssea e de crescimento demonstram que muitos dinossauros atingiam o tamanho adulto rapidamente, o que requer um metabolismo acelerado típico de animais de sangue quente.

Além disso, o fato de fósseis de tiranossauros e de outros grupos terem sido encontrados em latitudes altas, como Alasca, indica que eles suportavam condições climáticas frias e períodos prolongados de inverno. Uma temperatura corporal próxima à dos mamíferos modernos explicaria como eles permaneciam ativos nesses ambientes, sem depender exclusivamente de fontes externas de calor.

Desafios e considerações sobre o tamanho corporal

Um ponto de debate permanece: os maiores saurópodes, cujas dimensões ultrapassavam 30 metros, poderiam enfrentar dificuldades para dissipar calor interno. Alguns paleontólogos propõem que esses gigantes desfrutavam de um “calor inercial”, ou seja, incapazes de perder calor rapidamente, mas ainda assim sem necessidade de mecanismos termorreguladores ativos. O cenário do T. rex, porém, demonstra que nem todo dinossauro massivo era necessariamente limitado a estratégias passivas.

Essa descoberta pode mudar a percepção popular de que o T. rex era um réptil lento, indicando que ele possuía um metabolismo robusto, exigindo maior consumo de alimento e capacidade de caçar em ambientes variados.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.