Em 4 de outubro mais de oito milhões de eleitores gaúchos comparecerão às urnas para decidir quem comandará o governo estadual. Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta, a segunda-feira 25 de outubro será destinada ao segundo turno. O pleito se destaca pela diversidade de candidaturas e pela formação de coalizões que buscam romper a tradicional polarização política do Rio Grande do Sul.
Os sete nomes que concorrem à governadoria
O primeiro turno apresenta a seguinte lista: Cesar Pontes (PCO), Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador, Marcelo Maranata (PSDB), Priscila Voigt (UP), Rejane Oliveira (PSTU), Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT). Cada candidatura traz um conjunto de propostas que variam desde a ampliação de investimentos em infraestrutura até a defesa de políticas públicas no âmbito da saúde e da educação.
Juliana Brizola: trajetória, alianças e propostas
Com 50 anos, Juliana Brizola nasceu em Porto Alegre e carrega o legado de seu avô, Leonel Brizola, ex-governador e fundador do PDT. Formada em Direito pela Universidade Santa Úrsula (RJ) e mestre em Ciências Criminais pela PUCRS, ela já atuou como vereadora (elege-da em 2008), secretária da Juventude de Porto Alegre e deputada estadual por três mandatos. Entre suas realizações legislativas destaca-se a Emenda Constitucional que tornou obrigatória a expansão da Escola de Tempo Integral no estado e a criação do programa Pró-Hospitais, permitindo que empresas destinem até 5 % do ICMS para hospitais filantrópicos.
Ao lançar sua pré-candidatura em maio, Brizola declarou: “Nós já somos vitoriosos, porque todos nós deixamos as nossas diferenças de lado para sentar nessa mesa e formatar um grande projeto de desenvolvimento econômico e social para o nosso Rio Grande do Sul”. Seu discurso enfatiza a necessidade de união entre forças de esquerda e centro-esquerda, reforçada pelo apoio do PT e pela presença de Edegar Pretto como candidato a vice-governador.
Aliança ampliada e apoio nacional
A coligação reúne PDT, PT, PSOL, PCdoB, PV, Rede, PSB e Avante, formando um bloco que, segundo a própria candidata, demonstra “convergência” e “maturidade” dos partidos ao sentarem à mesa. Ela mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou a união para montar um palanque mais amplo no estado. “O PT gaúcho sempre teve tradição forte, mas vejo maturidade nessa união”, afirmou Brizola em entrevista.
Propostas setoriais
No campo da educação a candidata defende a concomitância entre ensino técnico e escolas de tempo integral, garantindo aos jovens a opção de combinar ambas as modalidades. Em segurança pública propõe o uso obrigatório de câmeras corporais, o combate ao feminicídio e a ampliação de mecanismos de proteção às mulheres. Quanto à saúde Brizola destaca a importância da parceria entre setor público e privado para reduzir filas, afirmando: “Precisamos voltar a fazer essas esferas serem parceiras”.
Sobre a crise fiscal do estado, ela apoia a adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas) e a extensão do FUNRIGS, instrumento criado após as enchentes de, para garantir que os recursos sejam aplicados em investimentos estratégicos.
Cenário competitivo e perspectivas
Além de Brizola, a corrida conta com nomes como Gabriel Souza (MDB), que busca a reeleição do governo de centro-direita, e Luciano Zucco (PL), representante da extrema direita bolsonarista. Uma pesquisa divulgada em 10 de outubro mostrou Zucco e Brizola empatados em 36 % e 35 % dos votos, respectivamente, com Souza atrás, em 22 %.
Os comunistas do PCdoB ressaltam a importância da unidade do campo progressista para conter a direita. O presidente estadual do partido, Edson Puchalski, destacou que a aliança “pavimenta as condições para o segundo turno” e que a campanha busca “desmascarar a extrema direita”.
Com a pauta fiscal, a disputa pela manutenção do Banrisul e a necessidade de fortalecer serviços públicos, a eleição gaúcha promete ser decisiva para o futuro do estado. O resultado de outubro definirá não apenas quem ocupará o Palácio Piratini, mas também o rumo das políticas de saúde, educação e segurança nos próximos anos.



