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26 setembro 2026

Desenrola 3.0: até R$ 15 bi para perdoar 90% da dívida

O Desenrola 3.0, lançado em setembro, prevê compra de carteiras de crédito e perdão massivo de dívidas, com custo máximo de R$ 15 bilhões e efeito fiscal a partir de 2027.

Desenrola 3.0: até R$ 15 bi para perdoar 90% da dívida

Na tarde de 25 de setembro de 2026, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou o Desenrola 3.0 a terceira edição do programa de renegociação de dívidas. O objetivo central é adquirir carteiras de crédito vencidas e conceder um deságio mínimo de 90%, perdoando, assim, a maior parte dos valores devedores. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti informou que o custo total da operação está limitado a R$ 15 bilhões valor que será definido em leilão previsto para novembro.

Escopo financeiro e critérios de elegibilidade

Segundo as estimativas oficiais, o universo total de débitos que podem ser incluídos no programa chega a R$ 300 bilhões. A meta do governo é alcançar metade desse patamar, ou seja, R$ 150 bilhões concentrando-se em famílias que tenham dívidas em atraso entre dois e quatro anos e meio. As dívidas contempladas abrangem cartão de crédito – tanto a modalidade rotativa quanto a parcelada – e empréstimos pessoais sem consignação em folha. A aquisição das carteiras será feita por meio de leilões, cujo sucesso dependerá do interesse das instituições financeiras em vender seus papéis e do desconto negociado.

Cronograma de implementação e impacto nas contas públicas

O primeiro lote de recursos está programado para ser desembolsado em fevereiro de 2027 após a homologação das propostas recebidas até dezembro. O leilão será dividido em tranches de R$ 50 bilhões permitindo que o impacto fiscal máximo de R$ 15 bilhões seja diluído ao longo de 2027 e 2028. Mais adiante, o Orçamento anual desses dois exercícios será ajustado por meio dos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOA), de modo que a despesa se mantenha dentro das regras fiscais vigentes, sem qualquer exceção.

O Desenrola 3.0 também estabelece que a execução da compra das carteiras poderá ficar a cargo de uma instituição financeira federal ou do Tesouro Nacional. Essa característica garante maior agilidade e controle estatal na negociação dos débitos, afastando a necessidade de cada cidadão procurar individualmente um banco, como ocorria nas versões anteriores. Lula enfatizou que o novo modelo “é melhor do que os outros Desenrolas”, acrescentando que agora “é o governo que vai comprar dívida e vai acertar a vida das pessoas”.

Além do programa de dívida, o mesmo dia foi marcado pela divulgação da proibição das apostas esportivas (bets) no país, medida que deve repercutir na arrecadação e, consequentemente, nos ajustes de receita previstos para o mesmo período fiscal.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.