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26 setembro 2026

Estudo da Columbia mostra ganhos cognitivos com ar mais limpo em Nova York

Um longo acompanhamento de mais de mil crianças em Manhattan e Bronx revelou que a diminuição de partículas e gases nocivos impulsionou o desenvolvimento mental nos primeiros três anos de vida.

Estudo da Columbia mostra ganhos cognitivos com ar mais limpo em Nova York

A equipe de pesquisa da Universidade Columbia em parceria com o jornal Environmental Health monitorou a trajetória de 1.109 pequeninos nas áreas do norte de Manhattan e do sul do Bronx. O objetivo central foi avaliar se a redução progressiva da poluição do ar nas ruas da cidade refletia melhorias mensuráveis nos testes cognitivos realizados entre o primeiro e o terceiro ano de vida.

Contexto longitudinal do estudo

O projeto começou em 1998 e se estendeu até 2016, período em que foram recolhidos dados de exposição pré-natal a três contaminantes principais: material particulado fino (PM2,5)dióxido de nitrogênio (NO₂) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). Cada criança foi submetida, ao atingir 1, 2 ou 3 anos, às Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil que mensuram habilidades como processamento cognitivo, memória, percepção sensorial, resolução de problemas e comunicação.

Queda dos poluentes nas duas décadas analisadas

Entre 1998 e 2016, as medições atmosféricas registraram uma diminuição significativa nos três compostos estudados. O PM2,5 teve sua concentração média anual reduzida em 51%, enquanto o NO₂ recuou 48% no mesmo intervalo. Já os HAPs apresentaram a maior queda, 66%, entre 1998 e 2020. Os autores atribuem esse cenário a um conjunto de políticas de qualidade do ar adotadas pela cidade, que incluíram restrições ao uso de combustíveis fósseis em edifícios, limitação de emissões veiculares e incentivo à eletrificação do transporte público.

Relação entre menor exposição e desempenho cognitivo

Ao cruzar os níveis de exposição gestacional com os resultados das avaliações Bayley, os pesquisadores identificaram uma relação inversa clara: quanto maior a carga de poluentes durante a gravidez, menores foram as pontuações obtidas pelos bebês. Nos três anos de acompanhamento, o ganho médio de pontos foi de 0,607 por ano aos 12 meses, 0,853 aos 24 meses e 1,396 aos 36 meses. O efeito foi mais pronunciado no primeiro subgrupo analisado (mais de 700 crianças recrutadas entre 1998 e 2006), que partiu de exposições mais elevadas e experienciou as maiores reduções ao longo do estudo.

No segundo grupo, recrutado entre 2008 e 2016, os níveis de poluentes já eram menores, o que enfraqueceu a associação entre PM2,5 e desenvolvimento cognitivo, embora a tendência permanecesse negativa. Esse padrão reforça a ideia de que a qualidade do ar continua a influenciar o neurodesenvolvimento, mesmo quando os níveis de contaminação já são relativamente baixos.

Outros fatores considerados e robustez dos achados

Para isolar o efeito da poluição, os autores controlaram variáveis sociodemográficas que evoluíram ao longo das duas décadas. A presença de fumantes no domicílio caiu de 34% para 18%, reduzindo a exposição à fumaça de cigarro. Simultaneamente, o percentual de mães com ensino médio completo aumentou nove pontos percentuais. Mesmo após ajustar esses parâmetros, a associação positiva entre ar mais limpo e maior pontuação nas escalas Bayley permaneceu estatisticamente significativa.

Frederica Perera, professora da Columbia e co-autora do estudo, alertou que, apesar dos resultados encorajadores, os níveis atuais de poluição ainda podem ser prejudiciais a grupos vulneráveis. Ela enfatiza a necessidade de continuar monitorando o impacto de políticas ambientais sobre o desenvolvimento cognitivo infantil, especialmente em áreas densamente habitadas.

Em síntese, a pesquisa oferece evidência robusta de que a melhoria da qualidade do ar nas cidades pode trazer benefícios que vão além da saúde respiratória, alcançando o desenvolvimento cerebral das próximas gerações.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.