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17 setembro 2026

Impacto da deflação de agosto no Tesouro Direto e estratégias de investimento

Com a deflação de 0,32% em agosto, os títulos do Tesouro Direto registraram quedas significativas. Especialistas debatem se é hora de alongar prazos ou manter investimentos no CDI.

Impacto da deflação de agosto no Tesouro Direto e estratégias de investimento

Na manhã desta sexta-feira (11), os títulos do Tesouro Direto apresentaram quedas generalizadas após o IBGE divulgar que o IPCA registrou uma deflação de 0,32% em agosto. Esse recuo foi mais intenso do que a queda de 0,29% projetada em pesquisa da Reuters.

O juro real do Tesouro IPCA+ 2032 perdeu 0,15 ponto percentual alcançando IPCA + 7,57% enquanto os títulos prefixados recuaram entre 8 a 10 pontos-base. Esse cenário reforça a tese de que a inflação está caindo mais rápido do que o esperado, o que pode levar a uma redução mais significativa da Selic.

O impacto da deflação nos investimentos

O PIB do segundo trimestre, que cresceu 0,5% com fraqueza nos setores sensíveis aos juros, já havia levado a XP a revisar suas projeções, indicando uma inflação menor. Agora, os investidores enfrentam o dilema de alongar prazos para capturar a valorização de um fechamento adicional da curva ou permanecer no CDI preservando a liberdade de mudar de estratégia.

Estratégias de investimento em renda fixa

Para Carlos Eduardo Oliveira Jr. presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo a tese de uma convergência mais rápida da inflação ganhou força, embora de forma marginal. Ele projeta uma Selic em até 12,50% ao ano no fim de 2026 e recomenda aumentar a duração da carteira, com foco em vencimentos intermediários, especialmente entre cinco e sete anos.

A migração de pós-fixados para prefixados e títulos IPCA+ deveria envolver entre 20% e 40% da alocação em renda fixa. A XP também elevou a recomendação para prefixados, vendo prêmio suficiente nas taxas para compensar os riscos.

Riscos e precauções

Os riscos, porém, existem. Em um papel com duração próxima de cinco anos, uma alta inesperada de 1 ponto percentual na curva pode gerar perda de 4% a 5% que se materializa caso o investidor precise vender antes do vencimento. Por outro lado, a taxa alta funciona como amortecedor, e um prejuízo dessa magnitude poderia ser recuperado entre 6 e 18 meses a depender do juro travado, explica Oliveira Jr.

Bruno Corano economista e CEO da Corano Capital recomenda mais cautela. “O investidor não deveria fazer agora um movimento relevante para alongar prazo e apostar em fechamento de curva” afirma. O eixo da carteira deve seguir em pós-fixados de boa qualidade e alta liquidez. “Neste momento, liquidez não é um detalhe secundário; ela faz parte da estratégia central”.

Sinais de alerta e cenários futuros

Economistas alertaram sobre o caráter transitório da deflação e o risco de o IPCA voltar a piorar, com pressões vindas do petróleo e do El Niño. Corano acrescenta que sua atenção maior está no ambiente de confiança: um choque de liquidez global, piora do câmbio ou qualquer evento que reabra prêmio de risco no Brasil.

“O investidor precisa abandonar essa tese no momento em que perceber que o País voltou a exigir juros altos para compensar risco, e não apenas para combater inflação” resume Corano.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa