Na madrugada de sábado, 26, os blocos de propaganda eleitoral chegaram ao ar reforçando os principais pontos de disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto o filho do ex-presidente lançava advertências sobre o PCC o Comando Vermelho e as milícias alegadas organizações narcoterroristas o petista focava na conclusão da escala 6×1 e na redução de tributos para a população.
O discurso de Flávio Bolsonaro na propaganda de domingo
A mensagem de Flávio traz o bordão “você também não aguenta mais o PT”, reforçando a ideia de ruptura com o governo atual. Ele se apresenta como porta-voz de novas ideias sobretudo no combate ao crime organizado, ao afirmar que “as organizações como o PCC são verdadeiros cartéis de drogas”. Também prometeu baixar a taxa de juros, conter o endividamento familiar e aplicar um “tesouraço” nos impostos. Em tom de crítica, o candidato ridicularizou as promessas de Lula ao citar a “picanha barata”, dizendo: “A picanha é o símbolo do velho” e acusando o presidente de “chuva de promessas”.
Lula e a proposta de reforma social na propaganda oficial
O bloco do PT começou citando um editorial do O Estado de S. Paulo que apontava a proximidade de Flávio com milícias e questionava o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro ex-dono do Banco Master que financiou o filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro. Lula, então, ressaltou a conclusão da escala 6×1 sem redução salarial, prometendo que, ao ser aprovado no Congresso, o trabalhador poderá ficar dois dias em casa. A campanha ainda anunciou a isenção de impostos sobre a cesta básica a partir de 1º de janeiro, a tributação dos super-ricos e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Outros candidatos e a ampliação da disputa
Ronaldo Caiado (PSD) usou seu bloco para enaltecer as obras de saúde e educação realizadas em Goiás, citando novas UTIs, um hospital oncológico e escolas de tecnologia, além de vincular combate à corrupção como base de governança. O candidato do Avante, Augusto Cury tentou se posicionar como alternativa ao tradicional embate “Lula ou Bolsonaro”, questionando a repetição de discursos nas eleições.
Evento de Lula em São Miguel Paulista
Ao lado de Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Simone Tebet e Rosângela Janja, Lula fez caminhada em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, defendendo o fim das bets e da jornada 6×1. O presidente acusou Flávio Bolsonaro de estar ligado a Daniel Vorcaro, afirmando: “Essa gente não tem caráter, não tem moral” e denunciando uma suposta quadrilha que “rouba a Previdência Social”. Também reforçou a soberania nacional e pediu votos para Haddad, Marina e Tebet, brincando que seria melhor se o número da candidata fosse 13, “número do PT”.
Pesquisa Datafolha e a teoria do “desconto”
Um levantamento da Datafolha divulgado em 24 mostrou Lula com 40 % das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 36 %, margem de erro de dois pontos. A professora de ciência política da USP, Marta Arretche explicou que, em ambientes altamente polarizados, eleitores tendem a “descontar” as acusações contra seu candidato preferido, considerando que “o defeito do adversário pode ser menos relevante que a afinidade com a proposta”. Segundo a mesma análise, a identidade com o bolsonarismo – redução do Estado, endurecimento da segurança e valores conservadores – tem mais peso que a simples antipetismo.
Assim, a penúltima semana de campanha mostra uma disputa acirrada, onde propaganda televisiva, eventos de rua e pesquisas de opinião se entrelaçam, criando um cenário de empate técnico que deixa o destino do 1° turno ainda incerto.



