À medida que a campanha presidencial se aproxima do fechamento, a Folha de S.Paulo tem acompanhado dez eleitores desde março, quando ainda não havia candidato oficial. Hoje, oito deles já revelaram um nome preferido, embora o entusiasmo nem sempre acompanhe a decisão.
Preferências declaradas pelos entrevistados
Entre os entrevistados, Agda Abreu psicóloga de Senhor do Bonfim (BA), escolheu Lula apesar de criticar a gestão atual do petista. Ela descartou todas as opções de direita e reafirmou que seu voto será “por falta de opção”, não por afeto.
O agrimensor Nissen Cabral Jr. de Dourados (MS), também optou por Lula. Ele justificou a escolha como forma de impedir o avanço de Flávio Bolsonaro e protegeu a autonomia do Judiciário, afirmando que “não me sinto confortável para votar à vontade ou com total liberdade, por conta das últimas pesquisas de intenção de votos”.
Magali Barros atendente em São Paulo, mudou de ideia ao longo da campanha: inicialmente descartou Flávio, mas ao acompanhar o horário eleitoral passou a considerá-lo. Ela ainda aprecia Ronaldo Caiado porém teme desperdiçar o voto.
O cacique Baré Rui Leno Macedo de Moraes de Barcelos (AM), mantém a inclinação por Flávio Bolsonaro citando o custo dos alimentos e a esperança de atenção às comunidades indígenas. Ele recorda críticas ao governo de Jair Bolsonaro, mas declara que “não tenho nada contra o Lula, pelo contrário”.
Já José Marques agricultor de Bocaiuva (MG), decidiu apoiar Caiado no primeiro turno, buscando menos confrontos entre campos políticos e citando a polarização no STF. Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, ele afirmaria que votaria no petista, ressaltando que nunca votou em branco ou nulo.
O empresário Renato Lucas da Silva de São José dos Campos (SP), antes inclinado ao candidato do Novo, agora considera Caiado como alternativa a Lula e Flávio. Ele critica a carga tributária e diz que, se houver segundo turno, “prefiro votar no Lula”.
O cartunista André Guedes indicou Renan Santos no primeiro turno, mas demonstra vacilação no segundo, alternando entre os dois maiores candidatos conforme as notícias do dia.
Por fim, Almir Barros Costa professor aposentado de Salvador, ainda não definiu um nome, mas sinaliza que votaria em um candidato de esquerda como forma de protesto, admitindo que, se houver segundo turno, optaria por Lula. Já Ednilza Jacinto de Oliveira de Peruíbe (SP), descartou Flávio por “muita falcatrua” e está disposta a arriscar em Augusto Cury embora ainda pese a opção de voto em branco.
Panorama das pesquisas nacionais
Os números de pesquisas confirmam a disputa acirrada. Segundo a Datafolha divulgada na quinta-feira (24), Lula e Flávio Bolsonaro lideram entre os eleitores não alinhados com 23% cada. Em seguida, Augusto Cury tem 15%, Renan Santos 8% e Ronaldo Caiado 7%. Votos em branco ou nulos somam 13% e 3% permanecem indecisos.
No cenário de um eventual segundo turno entre os dois líderes, a mesma pesquisa aponta 39% dos eleitores inclinados a Flávio contra 34% para Lula com 24% propensos ao voto em branco ou nulo.
O agregador de pesquisas da BBC News Brasil usado em conjunto com a consultoria Polling Data, indica que, até 22 de setembro, Lula tem 40% de intenção de voto e Flávio Bolsonaro 38% no primeiro turno. Em simulações de segundo turno, os dois candidatos ficam empatados em 45% cada.
Os dados da Quaest divulgados em 21 de setembro, também mostram Lula à frente com 37% e Flávio com 33% no primeiro turno, mas no teste de segundo turno o senador registra 42% contra 41% do petista, evidenciando a margem estreita.
Implicações para o segundo turno
Com os índices tão próximos, a decisão dos eleitores indecisos pode redefinir o desfecho. Muitos dos entrevistados citam a falta de opções, a necessidade de impedir um candidato que consideram perigoso, ou ainda o desejo de enviar um recado ao establishment político. Essa diversidade de motivações explica por que “o voto não vai ser por amor agora, vai ser por falta de opção” se tornou um refrão recorrente.
Além das preferências individuais, o clima institucional também influencia: críticas ao STF discussões sobre reformas judiciais e a percepção de que o país caminha entre polarização e busca por estabilidade. Assim, candidatos que conseguirem apresentar propostas claras e que se distanciem das controvérsias podem atrair os eleitores que hoje consideram o voto em branco ou o voto nulo como forma de protesto.
Com a eleição do primeiro turno marcada para 3 de outubro e o segundo previsto para 25 de outubro, a corrida ainda tem capítulos a serem escritos. O que permanece claro é que a parcela de eleitores que ainda não tem escolha definitiva tem o poder de decidir o rumo da disputa.



