O mercado brasileiro mostrou sinais de recuperação nesta quarta-feira (19), com o Ibovespa registrando alta após uma sequência de 11 pregões negativos. A valorização foi puxada principalmente pelas blue chips com destaque para as ações da Vale e da Petrobras.
O índice chegou a atingir a máxima de 170 mil pontos mas desacelerou no início da tarde. Próximo do fechamento, às 16h45, o Ibovespa avançava 0,84% aos 167.688,51 pontos.
Fatores que impulsionaram a alta
O pregão começou com um impulso positivo, impulsionado pelo avanço das blue chips após uma série de quedas nos últimos dias. Além disso, o volume de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos Estados Unidos também contribuiu para o movimento.
“Quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos“, explica a analista Rebecca Nossig estrategista de ações da Nomad. “Como o preço e a taxa de retorno caminham em direções opostas, essa recompra força os yields para baixo“.
O dólar também recuou na sessão frente ao real e a outras moedas globais, devido à potencial queda dos juros nos EUA. Isso fez com que o fluxo estrangeiro de investidores, que vinha negativo nas últimas semanas, voltasse a se inverter em prol da Bolsa brasileira.
Ata do Federal Open Market Committee
Mais tarde, as atenções se voltaram para a ata da última reunião do Federal Open Market Committee que deve trazer mais esclarecimentos sobre o processo de decisão que manteve os juros nos EUA no patamar de 3,5% a 3,75% a.a. A falta de comentários por parte do chairman do FedKevin Warsh fez com que os títulos mais longos voltassem a se acelerar.
Os principais motores da alta foram a Vale (VALE3) que avançou 2,8% acompanhando a alta de futuros do minério de ferro, e a Petrobras (PETR4) que subiu 3% com a alta de preços do petróleo no exterior.
Contexto de queda recente
A recuperação ocorre após o Ibovespa acumular uma queda de 6,55% nos últimos 11 pregões, quando registrou a maior série de perdas diárias consecutivas desde 2026. O declínio recente tem como pano de fundo a saída de capital externo, bem como incertezas em torno do cenário eleitoral e as expectativas para os juros, além das incertezas no cenário geopolítico.
Até a última sexta-feira, o fluxo de estrangeiros em agosto estava negativo em R$18,1 bilhões. De acordo com o analista Gabriel Mollo da Daycoval Corretora o mercado continua dividido entre a desaceleração da atividade, que favorece novos cortes da Selic e o aumento do prêmio de risco provocado pelo cenário fiscal e eleitoral.



