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17 setembro 2026

Plataforma Discord enfrenta ação judicial após morte de jovem em Naviraí

O Instituto Defesa Coletiva move ação contra o Discord após a morte de uma adolescente em Naviraí, MS, exigindo medidas de segurança mais rigorosas.

Plataforma Discord enfrenta ação judicial após morte de jovem em Naviraí

Em um cenário que tem gerado intensa discussão sobre a segurança digital, o Discord enfrenta uma ação civil pública movida pelo Instituto Defesa Coletiva após a trágica morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, Mato Grosso do Sul em 22 de julho de 2026. A plataforma de comunicação é acusada de falhas em seus mecanismos de prevenção e monitoramento, permitindo a proliferação de grupos criminosos que incentivam a violência e o suicídio.

A ação, ajuizada em 7 de agosto de 2026, pede a suspensão imediata do Discord no Brasil até que a empresa comprove a implementação de medidas eficazes de segurança. O caso ganhou destaque após a Operação Lívia da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul que investigou uma organização suspeita de aliciar adolescentes e incentivar práticas de violência extrema.

As falhas apontadas pelo Instituto Defesa Coletiva

O Instituto Defesa Coletiva aponta que o Discord não tem adotado medidas suficientes para prevenir a criação e a permanência de comunidades voltadas à prática de crimes. A organização destaca a necessidade de mecanismos de aferição de idade e redução da exposição a conteúdos prejudiciais conforme estabelecido pelo ECA Digital instituído em março de 2026.

Entre as medidas exigidas pela ação estão a criação de um canal específico em português para denúncias graves, um protocolo de resposta emergencial para situações de risco à vida, e a preservação imediata de dados relacionados a usuários e conteúdos denunciados. Além disso, o instituto pede a implementação de procedimentos mínimos de identificação e rastreamento de usuários e sistemas para detectar, suspender e remover rapidamente comunidades, perfis e conteúdos ligados a atividades criminosas.

A resposta do Discord e as medidas adotadas

Em nota ao Poder360 o Discord afirmou que não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e que está cooperando com as autoridades brasileiras na investigação. A plataforma informou que o servidor privado relacionado ao caso foi identificado e desativado antes da morte da adolescente, e que o grupo funcionava por convite, não podendo ser localizado nas buscas do aplicativo.

A empresa destacou que mantém equipes dedicadas à identificação de grupos violentos, remoção de conteúdos que violem suas políticas e compartilhamento de informações com as autoridades. Desde março de 2026, o Discord exige verificação de idade para acesso a conteúdos adultos e alterações em configurações de segurança, embora a eficácia desse mecanismo esteja sendo analisada pela ANPD.

O impacto da Operação Lívia e as investigações em curso

A Operação Lívia revelou uma dinâmica alarmante de Violência contra crianças e adolescentes nas plataformas digitais. Segundo o Ministério da Justiça a organização investigada buscava adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional, estabelecia vínculos de confiança e exercia controle psicológico sobre as vítimas. A operação cumpriu mandados em vários estados, incluindo Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

O delegado e coordenador do Ciberlab Alesandro Barreto, afirmou que os investigadores conseguiram impedir outro caso de suicídio transmitido pela internet, destacando a importância da colaboração entre as autoridades e as plataformas digitais. O Ministério da Justiça também determinou a suspensão dos servidores nos quais os materiais foram transmitidos e acionou as plataformas para a exclusão dos conteúdos.

O caso do Discord levanta questões importantes sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes. Enquanto a ação civil pública segue seu curso, a plataforma afirma seu compromisso com a segurança dos usuários e a colaboração com as autoridades brasileiras.

Bruno Costa
Autor

Bruno Costa