Ir para o conteúdo
1 novembro 2026

Queda de 4% no dólar e o plano de proteção da GX Capital para o segundo turno

A queda de quatro por cento no dólar depois do primeiro turno virou oportunidade de proteção cambial para quem importa ou exporta, segundo a estratégia da GX Capital.

Queda de 4% no dólar e o plano de proteção da GX Capital para o segundo turno

Na manhã de 5 de outubro o mercado cambial registrou a maior baixa diária desde junho de 2018 com o dólar fechando a R$ 5,0022, queda de 4,12% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. O recuo coincidiu com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, em que Flávio Bolsonaro (PL) liderou com cerca de 47% dos votos válidos, seguido por Lula (PT) com aproximadamente 45%.

Essa diferença de apenas dois pontos percentuais, uma das menores desde 1989, fez o mercado redesenhar o cenário de risco para o segundo turno marcado para 25 de outubro. Enquanto o Ibovespa avançou 7,70% e atingiu nova máxima histórica, os juros futuros DI para janeiro de 2035 recuaram 133 pontos-base, reforçando a tese de que o prêmio eleitoral foi parcialmente devolvido.

Efeito imediato no prêmio eleitoral e a leitura de risco

Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital observa que a estreita vantagem de dois pontos no primeiro turno indica que “o segundo ainda é eleição, não evento precificado“, e que a carteira deve estar preparada para ambos os resultados no dia 26 de outubro. Quando o consenso concentra risco em um único cenário, a proteção contra a alternativa “não-favorecida” tende a ficar mais barata, criando uma oportunidade para adquirir camadas de hedge de cauda a custo reduzido.

Estratégia de hedge para importadores

Para empresas que precisam comprar dólares, a cotação em torno de R$ 5,00 abre duas perspectivas. A primeira, de custo permite fixar as parcelas de novembro e dezembro via NDF a preços mais baixos, reduzindo o custo médio sem comprometer a liquidez. A segunda, de risco envolve a possibilidade de reversão do movimento de queda; caso o segundo turno dê resultado inesperado, a diferença de preço pode ser recuperada rapidamente, exigindo decisão sob pressão.

A proposta da GX combina esses dois vetores: a base da exposição é garantida em NDF enquanto uma porção reduzida (cerca de 10-15%) é coberta por opções de compra com vencimento posterior a 25 de outubro. Essa camada opcional tem custo baixo porque poucos participantes estão pagando por esse cenário reverso. Quando a operação permite, o FINIMP desloca a liquidação para depois da acomodação do mercado.

O “Playbook Importação Blindada“, divulgado em maio demonstra que a estrutura acima pode reduzir até 44,7% o custo total de um contrato de importação ao empilhar as camadas de proteção.

Estratégia de hedge para exportadores

Exportadores já sentem o impacto da queda: cada embarque convertido nesta semana representa cerca de 4% a menos de receita em reais em comparação com a sexta-feira anterior ao primeiro turno. A alternativa de fixar tudo imediatamente pode impedir ganhos caso o dólar recupere parte da desvalorização; por outro lado, adiar a proteção expõe a empresa à volatilidade.

A recomendação da GX para exportadores é dividir a exposição. Metade da carga de novembro pode ser vendida em NDF utilizando o ACC (Advanced Credit Contract) para neutralizar a dependência do spot. A outra metade mantém uma camada de segurança por meio de opções de venda estabelecendo um piso que limita perdas caso a tendência de queda persista, mas ainda permite capturar ganhos caso o dólar volte a subir.

Segundo o Playbook Exportação Premium essa combinação pode gerar até R$ 245 mil de receita adicional mensal em operações de soja estruturadas em camadas.

Perguntas-chave para o comitê financeiro até 25 de outubro

Para alinhar a estratégia ao calendário eleitoral, a GX sugere que as equipes financeiras respondam a três questionamentos:

  • Exposição: qual fração das parcelas de novembro e dezembro já está fixa?
  • Cenário: qual seria o impacto no custo médio ou na receita trimestral se metade da queda de segunda-feira fosse revertida?
  • Calendário: quais contratos vencem antes e quais após o segundo turno, garantindo que a decisão de 26 de outubro seja um ajuste e não uma reação de emergência?

Essas respostas são geradas pela Auron IA plataforma proprietária da GX, que simula o desempenho da carteira nos dois possíveis resultados do segundo turno antes de qualquer decisão de mercado.

Exemplo prático: exportador de madeira

Um caso real ilustra a eficácia da proteção. Na semana que antecedeu o primeiro turno, um exportador de madeira tinha US$ 5 milhões a receber em 40 dias. Antecipando o recebível via ACE a R$ 5,22, a empresa blindou sua margem. Quando o dólar fechou a R$ 5,0022, a diferença de R$ 0,22 por dólar preservou cerca de R$ 1,1 milhão de receita, evitando que o valor fosse impactado pela volatilidade posterior ao pleito.

Vinicius Teixeira enfatiza que a operação não foi aposta na queda, mas sim proteção da margem contra um cenário plausível antes mesmo de ele se confirmar.

Com mais de R$ 2 bilhões em volume estruturado, a GX Capital mantém a disciplina de operar em modo de “regime de mercado” durante períodos eleitorais, priorizando camadas de hedge que sobrevivam a previsões equivocadas.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.