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17 setembro 2026

STF analisa relatório da Polícia Federal sobre relações de Moraes com banqueiro Daniel Vorcaro

O STF inicia julgamento sobre relatório da PF que indica relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira.

STF analisa relatório da Polícia Federal sobre relações de Moraes com banqueiro Daniel Vorcaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) está diante de um dos momentos mais delicados de sua história. Na manhã desta terça-feira, 15 de setembro de 2026, os ministros iniciaram o julgamento de um relatório da Polícia Federal que aponta relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro investigado como líder da maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional.

O presidente do STF, Edson Fachin abriu a sessão destacando a importância de sensatez, decoro e serenidade em um período de divergências legítimas, mas sem confronto pessoal. “A decisão cabe ao plenário, não a um ministro individual”, afirmou Fachin, enfatizando que a divergência faz parte da jurisdição, mas a perda da medida institucional não pode ser tolerada.

O caso Vorcaro-Moraes e as investigações da Polícia Federal

O caso teve início em 1º de setembro de 2026, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça tornou público um relatório que identifica uma interlocução entre Vorcaro e Moraes. O documento afirma que Vorcaro pediu uma interferência do magistrado nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

O relatório também indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes. Antes que fosse autorizado o andamento das investigações, Mendonça remeteu o caso ao plenário do STF. Agora, os ministros analisam se a PF poderá ou não prosseguir com as apurações.

A Procuradoria Geral da República (PGR) manifestou-se em 1º de setembro, afirmando que o procedimento da PF foi inválido por duas razões: Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF, e uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal.

O contra-ataque de Moraes e a guerra de liminares

Por sua atuação no inquérito, Mendonça é alvo de pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigá-lo por abuso de autoridades e improbidade administrativa. O procedimento foi instaurado inicialmente no inquérito das fake news, mas o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, avocou a relatoria do caso.

O contra-ataque processual de Moraes se baseia em um relatório de inteligência da PF contra Mendonça. O documento interno e sem valor probatório indica que o ministro teria direcionado as investigações do Master contra Moraes. A validade do documento culminou em uma guerra de liminares para afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Por decisão de Fachin, Rodrigues se mantém na chefia da corporação até que haja uma análise mais aprofundada sobre o tema.

O presidente do STF também marcou o julgamento separado do caso para 23 de setembro.

O relatório da Polícia Federal e as relações pessoais

No dia 9 de fevereiro de 2026, quatro delegados da Polícia Federal assinaram um relatório sigiloso de 196 páginas descrevendo as relações pessoais e de negócios do banqueiro Daniel Vorcaro com ministros do STF. O documento dedica especial atenção a José Antonio Dias Toffoli relator do caso Master no Supremo, que tomou decisões que dificultaram o avanço das investigações sobre o banco e seu dono.

A PF analisou dezessete contatos telefônicos entre Vorcaro e Toffoli e cruzou as ligações com mensagens em que o banqueiro e seus interlocutores tratavam de encontros, negócios, festas e viagens envolvendo ministros do Supremo, outros integrantes do Judiciário e membros do Congresso. Um personagem aparece repetidamente nas conversas: Fábio Faria ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro.

O relatório vai além das relações pessoais, reconstituindo a maneira como Vorcaro abasteceu estruturas empresariais e fundos ligados a familiares de Toffoli. As mensagens interceptadas mostram que o resort Tayayá é chamado por Faria de “a fazenda de Toffoli”. A PF identificou ainda doze encontros marcados entre o banqueiro e o ministro, em Brasília, São Paulo e Londres.

Em Londres, em abril de, o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias reuniu autoridades brasileiras na capital britânica. O evento foi financiado quase integralmente pelo Master. As mensagens analisadas pela PF mostram que os custos da viagem cresceram vertiginosamente, com despesas que chegaram a 850 mil libras (cerca de 6 milhões de reais).

O relatório também revela que Alexandre de Moraes participou da organização do evento em Londres. As mensagens atribuídas ao ministro mostram que ele sugeriu convidados, fez convites pessoalmente e aprovou o cronograma da viagem. Toffoli, em nota, afirma que sua participação no evento se deu a convite de Moraes e que jamais teve relação de amizade ou intimidade com Vorcaro.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.