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17 setembro 2026

Conflito no STF: PGR defende quebra de sigilo de investigação do Banco Master

O STF e a PGR estão em confronto sobre a quebra de sigilo de dados do Banco Master, com ministros e procuradores divididos sobre a transparência das investigações.

Conflito no STF: PGR defende quebra de sigilo de investigação do Banco Master

Um intenso debate se desenrola no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a quebra de sigilo de dados do Banco Master. A discussão ganhou força após o vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand manifestar-se a favor da retirada do sigilo de informações detalhadas em um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O pedido inicial partiu do ministro Alexandre de Moraes que solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin a derrubada do sigilo de um inquérito relativo ao caso do Banco Master. Moraes argumentou que o ministro André Mendonça relator do caso, não tornou pública uma parte da investigação que contém elementos essenciais para o julgamento.

O pedido de transparência e a resposta da PGR

Em resposta ao pedido de Moraes, Fachin acionou a PGR para se manifestar. Chateaubriand, em um ofício enviado a Fachin, destacou que os autos do caso não estavam visíveis ao órgão e que o sigilo deveria ser retirado devido à relevância do documento para a compreensão total dos fatores envolvidos no tema.

A Polícia Federal já havia solicitado, em março, que Mendonça disponibilizasse dados sigilosos contidos no RIF (Relatório de Inteligência Financeira) do Coaf, com o objetivo de detalhar o sistema de pagamentos do Master e de fundos ligados ao banco. No entanto, essa solicitação ainda não havia sido analisada pelo relator.

Tensão entre ministros e a quebra parcial de sigilo

A tensão entre os ministros do STF aumentou após Mendonça decidir pela quebra parcial do sigilo dos processos do caso Master. Na noite de quinta-feira (10), ele tornou públicos 15 inquéritos, mas manteve outros sob segredo, alegando que a divulgação total poderia prejudicar as investigações em andamento.

O conteúdo divulgado confirmou a condição de investigado de Flávio Bolsonaro candidato do PL à Presidência, apontado pela Polícia Federal como interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro dono do Master, na negociação de dinheiro para o filme Dark Horse que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Moraes e outros ministros, como Gilmar Mendes e Cristiano Zanin insistem na publicidade total do caso. Zanin chegou a pedir à Polícia Federal informações que ainda estavam sob sigilo, a despeito da ordem de publicidade dada por Fachin.

O julgamento das mensagens e as consequências

Na terça-feira (15), o plenário do STF deve analisar o relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor de Vorcaro. O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra o ministro ou na anulação do documento que mostra diálogos entre ele e Vorcaro, conforme pedido feito pela PGR.

Fachin, atendendo a um pedido da PGR e a solicitações de Moraes e Zanin, determinou que Mendonça retirasse, em até 24 horas, o sigilo de todos os documentos que integram as investigações sobre o caso Master. O presidente do STF pediu que o material fosse enviado ao seu gabinete e ao dos outros nove ministros, com exceção de documentos que envolvam ações dos investigadores ainda em andamento ou a serem realizadas.

Ainda na quinta-feira (10), Mendonça tirou o sigilo de parte dos processos do caso Master, incluindo a petição que é a base da investigação na corte. No entanto, a PGR afirmou que grande parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero que apura as fraudes bilionárias do Master, não foram divulgadas pelo relator.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.