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6 outubro 2026

TSE avalia desistência de Garotinho e possíveis efeitos nos votos anulados

Garotinho quer retirar recurso que buscava validar 274 mil votos; TSE tem prazo curto para decidir e o embate jurídico pode alterar a disputa eleitoral no Rio.

TSE avalia desistência de Garotinho e possíveis efeitos nos votos anulados

Nas últimas semanas, a disputa eleitoral no Rio de Janeiro ganhou contornos quase judiciais. O ex-governador Anthony Garotinho filiado aos Republicanos tem sua candidatura mantida em estado de sub judice após múltiplas decisões do TRE-RJ e do TSE. Enquanto os eleitores aguardam o primeiro turno, os tribunais recebem novas petições que podem mudar, drasticamente, o número de votos considerados válidos.

Desistência do recurso e recomendação do MPE

Na terça-feira (6), o Ministério Público Eleitoral (MPE) recomendou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que aceitasse o pedido de desistência feito por Garotinho. O político havia anunciado na sexta-feira (2) a intenção de interpor recurso para validar os 274.411 votos obtidos no primeiro turno. Contudo, após o resultado das urnas, mudou de postura na segunda-feira (5) e solicitou a retirada do pedido.

Se o TSE acolher a desistência, os 274 mil votos permanecerão anulados, abrindo caminho para que Douglas Ruas do PL seja declarado vencedor com base nos dados do domingo (4). Caso contrário, se o recurso for mantido mas rejeitado, a situação volta ao status quo: a anulação dos votos de Garotinho persiste e ele deverá enfrentar Eduardo Paes do PSD em segundo turno.

Além da recomendação ao TSE, o MPE sugeriu que, caso a candidatura ainda seja contestada, a ação seja julgada e rejeitada, confirmando a decisão original do TRE-RJ, que indeferiu o registro por inelegibilidade decorrente de punição por improbidade administrativa.

TRE-RJ, TSE e a fase provisória da campanha

O TRE-RJ manteve, em decisão unânime na terça-feira (29), o indeferimento da candidatura de Garotinho. A medida foi tomada frente a impugnação do MPE relacionada a uma condenação por improbidade administrativa que, segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) resultou na suspensão dos direitos políticos por 8 anos.

A condenação tem origem em um suposto esquema de fraudes na Secretaria de Estado de Saúde durante o governo de Rosinha Garotinho esposa de Anthony. O trânsito em julgado da sentença ocorreu em 1º de agosto de 2018 e a defesa argumenta que o prazo de oito anos terminou em 31 de julho deste ano. O TSE porém, ainda não definiu se a contagem deve iniciar a partir da data do trânsito em julgado ou da efetiva comunicação da suspensão, recebida em 10 de agosto.

Na quarta-feira (30), o ministro Floriano de Azevedo Marques concedeu ao candidato uma permissão provisória para exercer atos de campanha e utilizar recursos do Fundo Partidário até que haja julgamento definitivo. A liminar também suspendeu a ordem que obrigava o devolvimento de verbas já empregadas e a restrição ao horário eleitoral gratuito.

Garotinho reforçou, em nota enviada à imprensa, que “A decisão do TRE-RJ não encerra a discussão judicial sobre o registro da candidatura” e que continuará participando do processo eleitoral enquanto os recursos pendentes forem analisados pelos órgãos competentes.

Reações de partidos e acusação de manobra política

Na segunda-feira, Eduardo Paes acusou publicamente Garotinho e Douglas Ruas de estarem articulando uma estratégia para evitar a realização de segundo turno no Rio. A denúncia acrescentou tensão ao cenário já polarizado.

Paralelamente, o PSOL-RJ recorreu ao TSE contestando a desistência de Garotinho. O partido argumenta que a decisão sobre a validade dos votos deve partir da Justiça Eleitoral, e não do próprio candidato, sob pena de abrir precedente perigoso para futuros processos eleitorais.

Com a disputa ainda em curso, o futuro da candidatura de Garotinho permanece incerto. Se o TSE acabar por aceitar a desistência, os 274 mil votos serão definitivamente descartados, favorecendo Ruas. Caso o recurso seja mantido e posteriormente rejeitado, a anulação permanece, e Paes pode avançar para segundo turno. Enquanto isso, a população do Rio acompanha de perto cada movimento dos órgãos judiciais, ciente de que a decisão final pode remodelar todo o quadro eleitoral.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.