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6 outubro 2026

Minas Gerais concentra oito das dez cidades com maior abstenção em 2026

A votação de 4 de outubro de 2026 revelou recorde de ausentes, com Rio Vermelho (MG) à frente da lista nacional.

Minas Gerais concentra oito das dez cidades com maior abstenção em 2026

O primeiro turno das eleições de 2026 ocorreu no domingo, 4 de outubro, e trouxe à tona um fenômeno ainda não visto desde 1998: a taxa de abstenção nacional chegou a 21,08%, o que corresponde a 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Esse número supera as 20,93% registrados em 2022 e representa um aumento de quase 3 pontos percentuais em relação a 2010, quando a ausência foi de 18,12%.

Minas Gerais domina o ranking de maior ausência

Entre os municípios brasileiros, Minas Gerais sobressai com oito das dez cidades que apresentaram as maiores taxas de abstenção. O município de Rio Vermelho lidera a lista, com 4.079 eleitores ausentes dentre os 10.175 aptos a votar, o que equivale a 40,09% da população eleitoral local – quase 19 pontos percentuais acima da média nacional. Logo em seguida, Santo Antônio do Itambé registra 39,55% de ausentes, Serra Azul de Minas 38,71% e Santa Maria do Suaçuí 37,72%. Esses quatro municípios, todos situados no interior mineiro, ilustram a concentração de desinteresse ou impossibilidade de comparecimento no estado.

Comparativo com 2022: quedas, altas e mudanças de posição

Ao cruzar os dados de 2026 com os do primeiro turno de 2022, constata-se que seis das dez cidades listadas apresentaram redução nos índices de abstenção. Rio Vermelho caiu de 40,56% para 40,09% (-0,47 ponto percentual) e Santo Antônio do Itambé de 40,39% para 39,55% (-0,84). Por outro lado, Serra Azul de Minas subiu de 36,73% para 38,71% (+1,98 ponto), enquanto Santa Maria do Suaçuí avançou de 36,26% para 37,72% (+1,46 ponto). O município de Anhanguera (GO) registrou a maior alta da lista, saltando de 26,61% para 37,11% (+10,50 pontos), refletindo um salto de 327 para 645 eleitores ausentes.

Do lado das quedas mais expressivas, Novo Cruzeiro (MG) reduziu seu índice de 39,34% para 36,46% (-2,88 ponto), passando de 9.775 para 9.102 ausentes. Ainda assim, cinco municípios – Rio VermelhoSanto Antônio do ItambéChapada do NorteJenipapo de Minas e Novo Cruzeiro – permanecem entre os dez primeiros nas duas eleições, evidenciando uma persistência de fatores locais que afastam o eleitorado.

Capital com maior ausência e perspectivas para a segunda volta

Entre as capitais brasileiras, o Rio de Janeiro registra a maior taxa de abstenção, com 26,16% de eleitores ausentes – cerca de 1,28 milhão de pessoas. Esse número destaca o contraste entre o interior de Minas e as grandes metrópoles, onde o desinteresse também se manifesta, ainda que em percentuais menores. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já sinalizou que pretende agir para reduzir a taxa no segundo turno, previsto para 25 de outubro, através de campanhas com influenciadores digitais e conteúdos direcionados à população com mais de 70 anos, que chega a apresentar quase 50% de ausentes.

É importante lembrar que a ausência no primeiro turno não impede o voto no segundo: eleitores que não compareceram ainda podem participar da próxima disputa, desde que mantenham o título eleitoral regularizado. O TSE disponibiliza dados detalhados por estado, município e zona eleitoral, permitindo acompanhamento em tempo real dos índices de comparecimento e das estratégias adotadas para mobilizar o eleitorado.

Além da abstenção, o primeiro turno contabilizou 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos – quase 6 milhões de cédulas que não influenciam o resultado final. Esses números reforçam a necessidade de entender as motivações por trás da falta de comparecimento, seja a desilusão com o cenário político, dificuldades logísticas ou falta de informação sobre a importância de cada voto.

Rafael Oliveira