Na terça-feira (6), o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), conduziu a primeira reunião de transição de seu mandato, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais do governo. O encontro reuniu secretários estaduais e dirigentes de empresas públicas, que acompanharam o encerramento de oito anos de administração e receberam orientações para a troca de gestão que deve iniciar com a equipe do futuro governador Cleitinho Azevedo (Republicanos) a partir do dia 14.
Durante a sessão, Simões não conteve as lágrimas, mas explicou que o choro não tinha relação com a derrota eleitoral. “Eu não chorei nenhuma vez porque eu perdi a eleição. Não me emocionei no dia, e esse choro aqui tem menos a ver com eleição. Ele tem a ver com medo de destruição das coisas“, declarou, ressaltando o temor de que as mudanças implementadas fossem revertidas.
Emoção e agradecimentos na primeira reunião de transição
O ex-governador destacou a dedicação da sua equipe ao longo de oito anos para melhorar a situação do Estado. “Tenho muito medo do que pode acontecer se isso for tocado de qualquer jeito“, alertou, enfatizando a importância de preservar os avanços. Ele ainda enfatizou o respeito que tem por Cleitinho, comparando a situação a um pai que precisa deixar o filho trilhar seu próprio caminho. Os secretários aplaudiram em pé, reconhecendo o esforço conjunto e as “entregas excepcionais” realizadas durante a gestão.
Planos de contas, concursos e alterações fiscais
Simões anunciou que pretende deixar as contas públicas com o menor volume possível de compromissos financeiros, antecipando pagamentos de dívidas dentro do limite de caixa e programando a folha de pagamento de janeiro de 2027 para evitar desequilíbrios. Além disso, informou que vai nomear, até o fim do seu mandato, os candidatos excedentes dos concursos da Polícia Penal e da Polícia Civil e abrirá um novo certame que oferecerá 3 mil vagas para a polícia civil.
Em relação à política fiscal, Simões já analisou o plano de governo do eleito e enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais um projeto que elimina benefícios fiscais a empresas, conforme proposta de Cleitinho. O futuro governador havia prometido reduzir a alíquota do IPVA de 4% para 3%. Simões afirmou que, para que a redução entre em vigor em 2027, o projeto deve ser aprovado ainda neste ano, antes do receso legislativo de janeiro.
Possível colaboração entre Simões e o governador eleito
Cleitinho Azevedo, ao se pronunciar em Divinópolis (MG), fez menção a uma eventual integração de Simões ao seu governo, dizendo: “Vamos conversar com o Mateus Simões para dar continuidade com o que for bom“. Ele ressaltou que pretende formar um secretariado técnico citando nomes como Luís Eduardo Falcão (vice) e Flávio Roscoe como possíveis interlocutores. O candidato vencedor, com 99,99% das seções apuradas obteve 55,4% dos votos, superando Patrus Ananias (26,34%) e Flávio Roscoe (6,97%).
O novo governador também ficou de lado a negociação da dívida estadual com o futuro presidente da República, independentemente de quem for eleito, e destacou a necessidade de manter 750 mil famílias que dependem do serviço público em estabilidade. A proposta inclui renegociar o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e destinar parte dos recursos para áreas como infraestrutura e saúde, buscando um modelo de diálogo e respeito com o governo federal.



