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20 setembro 2026

Uso de canetas GLP-1 requer hábitos saudáveis para manter perda

Medicamentos GLP‑1 ajudam a emagrecer, mas sem mudança de hábitos o peso volta rapidamente.

Uso de canetas GLP-1 requer hábitos saudáveis para manter perda

As canetas anti-obesidade – como semaglutida e tirzepatida – tiveram destaque nos últimos anos por promoverem redução significativa de peso em pacientes com sobrepeso. Contudo, especialistas alertam que esses fármacos não substituem uma mudança de estilo de vida. Paulo Rosenbaum, endocrinologista do Einstein Hospital Israelita, enfatiza que a obesidade é uma doença crônica e que, ao interromper o tratamento, o organismo tende a reverter os ganhos obtidos.

Segundo Rosenbaum, “Quando o tratamento é interrompido, a doença volta a se manifestar. O reganho de peso não significa falta de força de vontade, mas sim uma resposta biológica que busca restabelecer o peso perdido”. Essa reação ocorre porque os princípios ativos das canetas atuam sobre o hormônio GLP-1 responsável por regular a fome e a saciedade. Quando a medicação é suspensa, os sinais de fome se intensificam novamente.

O que revelam as evidências científicas

Uma revisão sistemática publicada no início de janeiro no BMJ analisou 37 estudos envolvendo mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os participantes permaneceram, em média, 39 semanas em tratamento e foram acompanhados por 32 semanas após a interrupção dos fármacos. O resultado foi consistente: quem utilizou as canetas emagrecedoras perdeu, em média, 8,3 kg – mais do que o dobro da perda observada nos grupos controle.

Entretanto, após o término do uso, o peso voltou a subir a uma taxa de cerca de 0,4 kg por mês. Essa velocidade de reganho indicaria que, mantendo-se esse ritmo, o indivíduo retornaria ao peso inicial em aproximadamente 1 ano e 7 meses. Além do peso, os benefícios metabólicos – como melhora da glicemia, colesterol e pressão arterial – também começaram a desaparecer.

Por que hábitos saudáveis são essenciais

Rosenbaum ressalta que as mudanças no estilo de vida potencializam a perda de peso e aumentam as chances de manter os resultados no longo prazo. Entre as recomendações, destaca-se uma alimentação rica em proteínas e fibras, que aumenta a saciedade e reduz o consumo de alimentos ultraprocessados. A prática regular de atividade física ajuda a preservar a massa magra, eleva o gasto energético e contribui para a saúde cardiovascular.

O sono adequado desempenha papel crucial na regulação dos hormônios ligados ao apetite, enquanto o controle do estresse reduz episódios de alimentação emocional. “Os medicamentos são uma ferramenta muito eficaz no tratamento da obesidade, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla“, completa o especialista, reforçando que a terapia farmacológica deve ser integrada a um acompanhamento multiprofissional.

Quem tem maior risco de reganho?

Embora nem todos recuperem todo o peso perdido, fatores como perda de peso menor, obesidade menos grave e manutenção contínua de hábitos saudáveis tendem a limitar o efeito rebote. O organismo, explica Rosenbaum, mantém mecanismos evolutivos de defesa contra a perda de gordura – úteis em períodos de escassez alimentar, mas que hoje dificultam a manutenção do peso.

As canetas GLP-1 são parte do arsenal terapêutico, porém seu sucesso depende de um plano de longo prazo construído entre paciente, médico e equipe multiprofissional.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.