Na tarde de sexta-feira, 9 de outubro, um pequeno avião bimotor turboélice da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) partiu do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, por volta das 15h. Poucos minutos depois, por volta das 17h, a aeronave despencou nas imediações do Aeroporto Regional do Vale do Aço também conhecido como Aeroporto de Ipatinga, no município de Santana do Paraíso.
O acidente e suas circunstâncias
O voo, descrito pelos responsáveis como rechecagem destinava-se a uma avaliação periódica de piloto, prática rotineira da aviação da corporação. A Beech Aircraft modelo bimotor turboélice, encontrava-se com certificado de inspeção válido até outubro de, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), e estava registrado para uso privado, sem autorização para voos comerciais.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave colidiu com a estrutura de um galpão da concessionária Metrô BH e atingiu a rede elétrica do pátio de manutenção próximo ao km 43 da BR-458. Não houve feridos entre os ocupantes da estrutura. As equipes de emergência foram acionadas por volta das 16h20 e duas equipes de bombeiros foram deslocadas ao local, registrando uma densa coluna de fumaça negra.
Perfil das vítimas
Entre os três militares fatais estavam o tenente-coronel Luís Fernando Silvestre de 49 anos, natural de Belo Horizonte, com mais de 3 mil horas de voo acumuladas e reconhecido como o instrutor mais capacitado da corporação. Silvestre comandava o esquadrão de aviões do Comando de Aviação do Estado (Comave) e integrava a Polícia Militar há mais de duas décadas, deixando esposa e três filhos.
Também a bordo estavam a tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende de 35 anos, a primeira mulher habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa do Comave, que acumulava cerca de 300 horas de voo e havia retornado recentemente de licença-maternidade, e a tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida de 34 anos, natural de Caratinga, responsável tanto por pilotar quanto pela manutenção de aeronaves, com experiência aproximada de 300 horas de voo.
Repercussão e investigação
O coronel Flávio Santiago, porta-voz da PMMG, manifestou profundo pesar e ressaltou a importância da aviação policial no transporte de órgãos para transplantes – mais de 2 mil procedimentos, “boa parte deles na mão do tenente-coronel Silvestre” – além de missões de apoio terrestre em desastres como Brumadinho, Mariana e na pandemia de Covid-19. Ele destacou que a corporação mobilizou uma força-tarefa para amparar os familiares.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi designado para conduzir a apuração técnica das causas do acidente. Os corpos dos três policiais foram encaminhados ao IML de Belo Horizonte. O velório será realizado na Academia de Polícia Militar de Belo Horizonte, no bairro Prado, das 11h às 14h, com sepultamento no Cemitério Parque Bosque da Esperança, em Jaqueline, às 16h.



