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1 novembro 2026

Brasil registra 49,2% dos municípios em risco de Aedes aegypti

Quase metade dos municípios brasileiros está em alerta de Aedes aegypti, com vasos e garrafas responsáveis por quase metade dos focos.

Brasil registra 49,2% dos municípios em risco de Aedes aegypti

O Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira (7) os resultados do segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) realizado entre maio e agosto de 2026. Dos 3.732 municípios que enviaram informações – número que representa pouco mais da metade dos 5.569 municípios existentes no país – 49,2% foram classificados como estando em situação de alerta ou risco de infestação pelo Aedes aegypti vetor da dengue, chikungunya e zika.

Panorama geral do levantamento

O LIRAa tem como objetivo principal mapear a presença do mosquito antes da chegada do verão, período em que as condições climáticas – ainda mais intensas devido ao fenômeno El Niño – favorecem a reprodução dos mosquitos. A partir da coleta de dados, as autoridades estaduais e municipais podem direcionar recursos e campanhas de prevenção de forma mais assertiva.

Além de identificar as áreas em alerta ou risco o estudo classificou os tipos de criadouros responsáveis pela maior parte dos focos. Os vasos e pratos de plantas, garrafas e recipientes domésticos somam 42,3% dos locais onde o Aedes deposita seus ovos. Seguem-se os reservatórios de água – caixas d’água, tonéis e cisternas – que respondem por 26,1% e, por último, pneus e resíduos sólidos (garrafas PET, latas, entulho) com 23% da participação.

Variações regionais dos criadouros

O perfil dos locais propícios à proliferação muda de acordo com a região do país. No Norte a maior incidência está nos pneus e resíduos sólidos enquanto no Nordeste predominam os recipientes de armazenamento de água. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste a concentração maior está nos vasos, pratos de plantas e garrafas refletindo hábitos domésticos mais comuns nessas áreas.

Ações de prevenção e controle previstas

O Ministério da Saúde recomenda que a população faça vistorias regulares nas residências e nos arredores, esvaziando ou descartando qualquer objeto que possa acumular água. Medidas específicas incluem manter caixas-d’água bem tampadas, guardar baldes virados para baixo, limpar calhas e ralos, e destinar corretamente pneus, latas e entulhos.

Além das orientações ao cidadão, o governo intensificará a atuação de Agentes de Combate às Endemias (ACE) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Até o fim de 2026, mais de 300 mil profissionais deverão estar treinados para identificar criadouros, orientar moradores e conduzir intervenções em locais críticos.

Ferramentas tecnológicas também entrarão em ação: ovitrampas que capturam ovos de mosquito, já operam em cerca de 2 mil municípios oferecendo dados complementares ao LIRAa. Estratégias de controle químico e biológico, como a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI-Aedes) as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) e o método Wolbachia serão empregadas em escolas, unidades de saúde e outros locais de grande circulação.

Impacto nas doenças transmitidas

Os números de arboviroses acompanham a tendência de alerta. Até 26 de setembro de 2026, o país registrou 470,5 mil casos prováveis de dengue queda de aproximadamente 70% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 1,5 milhão de casos. A chikungunya reduziu-se 43% (de 118.885 para 67.902), e a zika diminuiu 35% (de 3.724 para 2.141).

Esses indicadores reforçam a importância das medidas preventivas anunciadas antes do início da temporada de maior risco. O alinhamento entre vigilância epidemiológica, ações de campo e mobilização da população é apontado como fator chave para manter a tendência de queda nas ocorrências.

Em síntese, o second cycle do LIRAa descreve um cenário alarmante em quase metade dos municípios avaliados, mas também evidencia uma resposta coordenada das autoridades sanitárias. Se as recomendações forem seguidas – tanto pelos gestores quanto pelos cidadãos – as perspectivas para o verão de 2026 podem ser significativamente mais seguras.

Beatriz Almeida