Na manhã de 13 de outubro, Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, revelou que o mandatário está prestes a assinar duas missivas voltadas aos públicos evangélico e católico. A fala ocorreu após uma reunião de aliados na Asa Sul, em Brasília, e indica que a carta será usada como instrumento de diálogo com movimentos religiosos, tradicionalmente menos alinhados ao Partido dos Trabalhadores.
Cartas como ponte entre a campanha e os fiéis
A iniciativa não é inédita. Em 2022, Lula havia lançado uma carta-compromisso com os evangélicos prometendo não fechar igrejas e garantir liberdade de culto. Agora, segundo Edinho, o texto revisado tem um tom mais aberto: o presidente revisou o conteúdo proposto pelos movimentos sociais para assegurar que as demandas dos fiéis sejam contempladas. A primeira das missivas, direcionada ao público evangélico, será divulgada oficialmente ainda nesta semana.
Embora o eleitorado evangélico tenha historicamente se inclinado à direita e ao bolsonarismo, o PT tem buscado aproximar-se desse segmento. Um exemplo concreto foi o panfleto lançado em 17 de setembro, intitulado “O Brasil que Cuida das Famílias — Fé, Esperança, Justiça Social e Liberdade”, que vinculava políticas públicas à mensagem bíblica. A nova carta procura aprofundar esse vínculo, transformando-o em dialogo institucional e não apenas em campanha de marketing.
Roteiro de campanha nos dias que antecedem o segundo turno
Paralelamente ao lançamento das missivas, Lula tem uma agenda intensa no interior. Nos próximos dias, o presidente deve passar por Juiz de Fora e Ipatinga, ambas em Minas Gerais, além de visitar o Maranhão, a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, e a capital paulista. Pernambuco e Bahia estão entre os destinos que ainda podem ser confirmados, mostrando a estratégia de mobilização regional do candidato.
Segundo Edinho, as visitas a Rio de Janeiro e São Paulo têm objetivo especial: são programadas para a véspera do segundo turno marcado para 25 de outubro, e servirão de ponto de convergência para eleitores indecisos dessas duas maiores unidades da federação. A intenção é criar um efeito de “onda” que impulsione a votação nos últimos dias de campanha.
Outras frentes de aproximação religiosa
Além das cartas, a campanha lançou, na quarta-feira, 14 de outubro, a “Carta para as Famílias Evangélicas Brasileiras”, na qual Lula destaca conquistas como o fim da escala de trabalho 6×1 – medida que, segundo ele, garante mais tempo para a igreja. A mesma mensagem inclui a proibição das apostas online e o combate ao crime organizado, temas que resonam com lideranças cristãs.
Para facilitar o contato direto, a equipe criou o canal de WhatsApp “Cristãos com Lula 13”, apresentado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (católico) ao lado do ministro da AGU, Jorge Messias (evangélico). Na mesma data, iniciou-se a caravana “Cristãos pela Democracia”, que percorrerá várias cidades defendendo família, esperança, trabalho e segurança. O conjunto de ações evidencia uma tentativa coordenada de transformar apoio religioso em voto efetivo no tur
Perspectivas para o Norte e a Amazônia
O plano ainda contempla a região Norte. Edinho informou que, na manhã de 15 de outubro, haverá uma reunião exclusiva com lideranças desse polo para definir a agenda que será apresentada ao presidente. O foco principal será a Amazônia, onde o PT pretende reforçar compromissos ambientais e sociais, ampliando a presença da campanha em um território tradicionalmente menos visitado nos últimos ciclos eleitorais.
A eficácia dessa abordagem, sobretudo entre eleitores evangélicos historicamente conservadores, será observada nas urnas a 25 de outubro.



