Na tarde de sábado (26), Alexandre Barci de Moraes filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) celebrou seu casamento na região de Cidade Jardim, zona sul de São Paulo. O evento, realizado em um espaço para festas próximo ao Shopping Cidade Jardim foi marcado por um esquema de segurança rigoroso, que impediu a aproximação de imprensa e público
Operação de segurança e restrição de tráfego
Os primeiros convidados começaram a chegar por volta das 15h, quando a Polícia Judicial assumiu o comando da operação, apoiada pela Polícia Militar de São Paulo e pela Guarda Civil Metropolitana. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também foi acionada para limitar o fluxo veicular nas redondezas, bloqueando a passarela de pedestres junto ao shopping e fechando uma das entradas do Parque Linear Bruno Covas. Ciclistas que pretendiam usar o parque foram incomodados com as barreiras temporárias.
Detalhes da restrição de acesso
Além do bloqueio físico, os agentes distribuíram avisos de que a zona de segurança se estendia a um raio de 200 metros, impedindo a entrada de curiosos e veículos de imprensa. Essa medida foi necessária devido ao clima de tensão que circunda a Corte especialmente após as recentes revelações de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro proprietário do Banco Master.
Contexto político e as revelações de Daniel Vorcaro
Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro, nas quais o banqueiro solicita orientação sobre investigações que envolvem o próprio Banco Master. O relatório da PF, obtido a partir do celular de Vorcaro, indica que o diálogo incluía pedidos de auxílio direto ao magistrado, gerando preocupação de que a cerimônia pudesse ser alvo de protestos.
No entanto, apesar do temor inicial, não foram registradas manifestações no entorno da festa, e o evento transcorreu tranquilamente, graças à efetiva presença policial.
Contratos e movimentações financeiras associados
As mensagens também apontam para operações financeiras envolvendo familiares do ministro. Em outubro de 2025, o Banco Master teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Alexandre Barci de Moraes e sua irmã Giuliana a pedido do escritório Barci de Moraes onde ambos trabalham.
Adicionalmente, o ministro teria elaborado a minuta de um contrato no valor de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. Um segundo acordo, no montante de R$ 50 milhões teria sido firmado com o mesmo escritório, sendo quitado mediante transferência de cotas de duas aeronaves de Vorcaro, caracterizando uma forma de sociedade oculta segundo os registros da PF.
Essas revelações intensificam o escrutínio público sobre a atuação de Alexandre de Moraes, que já vivencia uma crise institucional na Corte, e suscitam dúvidas sobre a separação entre atividades judiciais e interesses privados.
Conclusão da noite
Ao final da cerimônia, os noivos foram recebidos por familiares próximos, sob a proteção de dezenas de agentes de segurança. O sucesso da operação demonstrou a capacidade de coordenação entre diferentes órgãos policiais, enquanto a ausência de protestos sugeriu que a estratégia preventiva foi eficaz. Entretanto, os documentos da Polícia Federal deixam em aberto questões sobre a extensão das relações financeiras entre o magistrado, sua família e o Banco Master que deverão ser acompanhadas nos próximos dias.



