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1 novembro 2026

Conselho de Ética da Alesp julga caso blackface de Fabiana Bolsonaro

A sessão da Alesp volta ao centro das atenções ao analisar a denúncia de blackface contra Fabiana Bolsonaro e outros cinco processos éticos.

Conselho de Ética da Alesp julga caso blackface de Fabiana Bolsonaro

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) agendou para o dia 13 de outubro a apreciação de um caso que tem ocupado os corredores do poder estadual. A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) foi acusada por 21 parlamentares de praticar blackface durante discurso no plenário, gesto que gerou intenso debate sobre racismo e decoro parlamentar.

O episódio remonta a uma sessão ordinária ocorrida em março deste ano, quando a parlamentar pintou o rosto e parte do corpo de marrom para criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol) à presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados em Brasília. O ato foi interpretado pelos colegas como uma tentativa de ridicularizar a representação negra no Congresso.

Processo contra Fabiana Bolsonaro e postura do Ministério Público

Além da representação ética, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu procedimento criminal por racismo. Apesar do pedido de arquivamento, o caso ainda permanece em análise interna no MPSP.

Reações políticas e pedido de quebra de decoro

Os membros da esquerda foram os principais impulsionadores das denúncias. Parlamentares como Beth Sahão (PT), Mônica Seixas (PSol), Ediane Maria (PSol), Carlos Giannazi (PSol) e Guilherme Cortez (PSol) protocolaram representações solicitando a instauração de processo disciplinar e a perda do mandato, enquadrando a conduta como racismo e transfobia no exercício da função pública.

O pedido de quebra de decoro tem como objetivo aplicar sanções previstas no regimento interno da Alesp, que podem variar desde advertência até a suspensão do mandato. A decisão do Conselho será decisiva para definir se o gesto será tratado como infração ética ou se a imunidade parlamentar prevalecerá.

Outros cinco processos em pauta na mesma sessão

Junto ao caso de Fabiana Bolsonaro, o Conselho de Ética analizará quatro processos adicionais:

Representação contra Lucas Bove (PL)

Mônica Seixas (PSol) acusa o deputado Lucas Bove de praticar violência política de gênero e de adotar comportamento hostil durante sessão, alegando uso de discurso intimidatório contra colegas.

Denúncia de Gil Diniz (PL) contra Guto Zacarias (Missão)

Gil Diniz apresentou representação por suposta coação e violência psicológica contra sua ex-companheira, citada em reportagens que apontam conduta abusiva.

Acusação mútua entre Luiz Fernando Teixeira (PT) e Leonardo Siqueira (Novo)

O deputado Luiz Fernando Teixeira acusa o colega Leonardo Siqueira de divulgar vídeo com informações equivocadas sobre o orçamento da Alesp e sobre a remuneração mensal dos parlamentares. Em retaliação, Siqueira apresenta denúncia contra Teixeira, alegando uso indevido de verba de gabinete para locação de imóvel pertencente a uma assessora de seu próprio gabinete, conforme apurado pelo Metrópoles.

Assim, a sessão do Conselho de Ética promete ser um ponto crucial para esclarecer questões de conduta, imunidade e responsabilidade dos agentes políticos em São Paulo.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.