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1 novembro 2026

Leilão 15ª edição do Pivô supera recorde e transforma Copan

Leilão recorde do Pivô gera R$ 2,3 mi e abre caminho para nova central cultural no Copan, combinando cinema e arte contemporânea.

Leilão 15ª edição do Pivô supera recorde e transforma Copan

Entre o fim de agosto e a primeira quinzena de setembro de 2026, a plataforma independente Pivô realizou sua 15ª edição do leilão anual. O evento trouxe à baila 128 obras produzidas por 125 artistas provenientes de 18 estados brasileiros, consolidando-se como um dos maiores encontros de arte contemporânea do país.

Dos 128 trabalhos expostos, 78 foram arrematados movimentando a impressionante soma de R$ 2.338.550,00. A arrecadação foi distribuída em três frentes: R$ 1.217.085,00 destinados ao custeio operacional do Pivô, R$ 700.526,00 repassados diretamente aos artistas e R$ 420.939,00 referentes ao recolhimento de 18% de ICMS no Estado de São Paulo. Essa estrutura de divisão reforça o modelo de sustentabilidade em rede que a instituição vem cultivando desde sua fundação em 2011.

Os destaques financeiros e curadoria do leilão

O formato do leilão parte do princípio de que cada artista indica seu próprio valor de mercado e decide doar parte da receita – 50%, 70% ou 100% – à instituição. A partir daí, os lances são iniciados com 30% de desconto sobre o preço declarado, estimulando a competitividade entre colecionadores e galeristas.

Entre as obras, a aquarela sem título da artista Marina Perez Simão foi a mais valorizada, atingindo R$ 156,1 mil após 34 lances. O mesmo artista também liderou o segundo lote de maior valor, com outra aquarela de 2024 vendida por R$ 140,1 mil. Em terceiro lugar, a colaboração Carona (2026) entre Gokula Stoffel e Paulo Monteiro chegou a R$ 92 mil.

Outros trabalhos que se destacaram incluem Placa nº 4 de Pedro Neves (R$ 33 mil) e Weaving (catastrophe orchestra #1) de Antonio Társis (R$ 63,3 mil). Durante a exposição no Copan, mais de 2.500 visitantes circularam pelo espaço, demonstrando o apelo popular da iniciativa.

Requalificação do Copan: cinema, arquitetura e nova identidade cultural

O leilão marcou o encerramento das atividades do Pivô no Edifício Copan, que será temporariamente fechado para uma requalificação arquitetônica. O objetivo é integrar a estrutura do Pivô ao antigo cinema do Copan que ficou inoperante por quase duas décadas e foi recentemente adquirido pelo Nubank.

Como relata a diretora artística e fundadora Fernanda Brenner“No último ano, temos trabalhado junto no processo de retomada do cinema do Copan, que ficou fechado por quase 20 anos. Como os dois espaços compartilham o projeto original do Niemeyer, nos juntamos à Viva do Brasil, proprietária do cinema, para criar um centro cultural mais amplo. Vamos fechar para obras para integrar as estruturas e criar um novo feito cultural com o cinema como pilar”. O novo complexo reunirá o desenho assinado por Oscar Niemeyer transformando o coração da capital soteropolitana em um ponto de referência para a arte e o entretenimento.

Além da revitalização física, a proposta inclui a criação de salas multiuso, áreas de experimentação e espaços para residências artísticas, ampliando a função do Copan de mero ponto turístico para um verdadeiro hub cultural.

Estratégia de rede e expansão para o Nordeste

O sucesso do leilão reforça a capacidade do Pivô de mobilizar galeristas, colecionadores e a comunidade artística em torno de um objetivo comum. A estratégia de cooperação direta permite que artistas mantenham controle sobre seus preços e, simultaneamente, garantam recursos para projetos que ainda não existem.

Desde 2023, a instituição vem consolidando sua presença no Nordeste por meio do Pivô Boulevard localizado em Salvador. A expansão segue com a preparação do Pivô Coaty cuja inauguração está prevista para 2027. A abertura da exposição do leilão em São Paulo contou, inclusive, com um tradicional caruru baiano trazido da capital soteropolitana, simbolizando a convergência entre regiões.

“A grande questão no Brasil é que boa parte da política cultural é voltada para o momento do evento, quando o trabalho de arte já está maduro e visível para o público. O maior desafio é encontrar mecanismos de subsistência para o momento anterior: a residência artística, o tempo de pesquisa e a interlocução de qualidade que fazem a cena florescer”, enfatiza Brenner. Essa visão reforça a importância de um modelo em rede capaz de atravessar crises políticas e econômicas, garantindo a continuidade da produção criativa.

Rafael Oliveira