Desde o final de setembro, a França vive uma onda de manifestações protagonizada por estudantes de colégios e lycées. O ponto de partida foi o bloqueio de entradas em escolas da região de Ilê-de-France mais precisamente em Créteil, no dia 21 de setembro. As reivindicações giram em torno de salas de aula degradadas, falta de professores e equipamentos obsoletos, além de críticas ao sistema de candidatura universitária Parcoursup. A mobilização rapidamente se espalhou para outras cidades, reunindo pais, docentes e sindicatos em meio a acusações de uso desproporcional da força policial.
Escalada da violência e o rastro de feridos
Nos últimos dias, a situação ganhou contornos alarmantes. Na terça-feira (6) milhares de manifestantes percorreram as ruas de Paris e de cidades do noroeste da capital, exigindo melhorias nas instituições de ensino. Durante esses confrontos, dois episódios ficaram marcantes: um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após ser atingido por uma granada de efeito moral disparada pela polícia, e um estudante de 14 anos teve o rosto atingido por uma granada de gás lacrimogêneo a pouca distância, resultando na perda de vários dentes. Até o momento, o Ministério da Educação informa que 215 estudantes ficaram feridos, enquanto o Ministério da Justiça contabiliza 715 policiais com lesões.
Reação do governo e medidas emergenciais
Em resposta ao aumento das denúncias, o ministro do Interior Laurent Nunez anunciou na quarta-feira (7) a suspensão do uso de granadas de efeito moral nas manifestações. Ao mesmo tempo, o presidente Emmanuel Macron convocou um encontro de emergência com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu o ministro da Educação Édouard Geffray e outros integrantes do gabinete. Lecornu, que deve fazer pronunciamento público ainda nesta quarta, enfatizou que a violência não será tolerada, mas rejeitou a ideia de que houvesse uma ordem para “repressão policial”.
Fiscalização interna da polícia
O próprio aparato policial abriu 18 investigações internas para apurar condutas inadequadas desde o início dos protestos. Até agora, 6.500 pessoas — a maioria menores de idade — foram detidas, e 1,8 mil escolas tiveram suas atividades impactadas, com cerca de 400 a 500 instituições permanecendo encerradas. O governo também avançou em uma proposta legislativa que exigiria dos pais a responsabilidade pelos custos de atos de vandalismo praticados pelos filhos.
Perspectivas para o futuro imediato
O primeiro-ministro Lecornu enviou, por carta, a Geffray e a outros seis ministros, a diretriz de que, a partir de segunda-feira, 5 de outubro as aulas deverão ser retomadas onde a segurança e as condições das instalações permitirem. Ele destacou cinco áreas de ação: reposição de professores, renovação de infraestruturas, carga horária, democracia escolar e a reforma do Parcoursup. Enquanto isso, sindicatos de estudantes e associações de pais ainda não definiram um prazo para encerrar as paralisações, indicando que o movimento pode persistir nas próximas semanas.



