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1 novembro 2026

Ministério proíbe granadas de efeito moral em protestos escolares

Protestos de estudantes levam à proibição de granadas de efeito moral pela polícia francesa.

Ministério proíbe granadas de efeito moral em protestos escolares

Desde o final de setembro, a França vive uma onda de manifestações protagonizada por estudantes de colégios e lycées. O ponto de partida foi o bloqueio de entradas em escolas da região de Ilê-de-France mais precisamente em Créteil, no dia 21 de setembro. As reivindicações giram em torno de salas de aula degradadas, falta de professores e equipamentos obsoletos, além de críticas ao sistema de candidatura universitária Parcoursup. A mobilização rapidamente se espalhou para outras cidades, reunindo pais, docentes e sindicatos em meio a acusações de uso desproporcional da força policial.

Escalada da violência e o rastro de feridos

Nos últimos dias, a situação ganhou contornos alarmantes. Na terça-feira (6) milhares de manifestantes percorreram as ruas de Paris e de cidades do noroeste da capital, exigindo melhorias nas instituições de ensino. Durante esses confrontos, dois episódios ficaram marcantes: um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após ser atingido por uma granada de efeito moral disparada pela polícia, e um estudante de 14 anos teve o rosto atingido por uma granada de gás lacrimogêneo a pouca distância, resultando na perda de vários dentes. Até o momento, o Ministério da Educação informa que 215 estudantes ficaram feridos, enquanto o Ministério da Justiça contabiliza 715 policiais com lesões.

Reação do governo e medidas emergenciais

Em resposta ao aumento das denúncias, o ministro do Interior Laurent Nunez anunciou na quarta-feira (7) a suspensão do uso de granadas de efeito moral nas manifestações. Ao mesmo tempo, o presidente Emmanuel Macron convocou um encontro de emergência com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu o ministro da Educação Édouard Geffray e outros integrantes do gabinete. Lecornu, que deve fazer pronunciamento público ainda nesta quarta, enfatizou que a violência não será tolerada, mas rejeitou a ideia de que houvesse uma ordem para “repressão policial”.

Fiscalização interna da polícia

O próprio aparato policial abriu 18 investigações internas para apurar condutas inadequadas desde o início dos protestos. Até agora, 6.500 pessoas — a maioria menores de idade — foram detidas, e 1,8 mil escolas tiveram suas atividades impactadas, com cerca de 400 a 500 instituições permanecendo encerradas. O governo também avançou em uma proposta legislativa que exigiria dos pais a responsabilidade pelos custos de atos de vandalismo praticados pelos filhos.

Perspectivas para o futuro imediato

O primeiro-ministro Lecornu enviou, por carta, a Geffray e a outros seis ministros, a diretriz de que, a partir de segunda-feira, 5 de outubro as aulas deverão ser retomadas onde a segurança e as condições das instalações permitirem. Ele destacou cinco áreas de ação: reposição de professores, renovação de infraestruturas, carga horária, democracia escolar e a reforma do Parcoursup. Enquanto isso, sindicatos de estudantes e associações de pais ainda não definiram um prazo para encerrar as paralisações, indicando que o movimento pode persistir nas próximas semanas.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.