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1 novembro 2026

Operação na Cadeia de Mogi das Cruzes apreende R$ 150 mil e celulares

Busca de R$ 150 mil e dispositivos eletrônicos na cadeia de Mogi das Cruzes levanta suspeitas de tratamento privilegiado a Milton Leite.

Operação na Cadeia de Mogi das Cruzes apreende R$ 150 mil e celulares

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo determinou correições no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes e na Cadeia Pública onde está recolhido o ex-vereador Milton Leite. A inspeção tem como objetivo analisar rotinas administrativas, serviços e procedimentos operacionais das unidades, sob a supervisão da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP). Caso sejam encontradas irregularidades, a Corregedoria aplicará as medidas cabíveis, em linha com o protocolo de transparência e legalidade.

Operação de busca e apreensão realizada pelo Gaeco

Na sexta-feira, 16 de outubro, o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) cumpriu três mandados de busca e apreensão: um na própria Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, outro no 1° Distrito Policial local e um terceiro em residência particular na cidade. Durante as diligências, foram localizados cerca de R$ 150 mil e US$ 10 mil (equivalentes a aproximadamente R$ 50,7 mil) na casa de um agente penitenciário. Na prisão, o mesmo agente foi encontrado com R$ 4 mil em seu bolso, além de dois celulares apreendidos na cela de Milton Leite.

Acusações de privilégio e ligação ao PCC

O Ministério Público (MP) abriu investigação para apurar supostas regalias incompatíveis com o regime de prisão cautelar como visitas fora de horário e entrega de itens pessoais. O órgão entende que os fatos podem configurar corrupção passiva e ativa bem como prevaricação. Além do suposto benefício direto, a apuração inclui indícios de que Milton Leite teria vínculo com o PCC sendo citado como responsável por empresas de ônibus controladas pela facção, entre elas a Transwolf. Depoimentos de policiais militares, colhidos em procedimento perante o Tribunal de Justiça Militar, apontam o ex-vereador como proprietário de fato da referida empresa.

Defesa de Milton Leite e posicionamento de autoridades

A defesa de Milton Leite emissora nota em 17 de outubro negando qualquer privilégio ou tratamento diferenciado. Os advogados afirmam que o cliente cumpre as mesmas regras, rotinas e restrições aplicáveis a todos os detentos e que ainda não tiveram acesso ao inquérito aberto pelo MP, cuja denúncia teria origem anônima. Paralelamente, o deputado estadual e delegado Olin (PP) reconheceu visita ao ex-vereador, classificando o encontro como “estritamente institucional e político”, sem esclarecer se a visita seguiu os trâmites oficiais. A Polícia Civil, por sua vez, reitera compromisso com a legalidade e reforça que, se irregularidades forem confirmadas, serão adotadas as sanções cabíveis.

Contexto da operação Vectura Corrupta

Milton Leite foi detido no âmbito da operação Vectura Corrupta iniciada em setembro, que investiga a suposta infiltração da facção PCC no setor de transporte coletivo da capital paulista. A operação, ampliada pela missão “Custódia (In)Fiel” nesta sexta-feira, contou com apoio da Polícia Militar, Polícia Penal e Corregedoria da Polícia Civil, além das buscas realizadas em 18 endereços de vários municípios do interior de São Paulo. Até o momento, 16 pessoas foram alvejadas com mandados de prisão, e a investigação permanece aberta, buscando elucidar possíveis ligações entre políticos, responsáveis por concessões de linhas de ônibus e organizações criminosas.

Enquanto as autoridades aprofundam as apurações, o caso de Milton Leite continua a gerar debate sobre a integridade do sistema prisional e a influência de grupos criminosos sobre o transporte público. A população aguarda resultados que possam esclarecer se há, de fato, um esquema de privilégios dentro da cadeia e se o ex-vereador responde por envolvimento em atividades ilícitas ligadas ao PCC. O desfecho da investigação poderá ter repercussões importantes tanto no âmbito judicial quanto no debate sobre a relação entre política e crime organizado em São Paulo.

João Pereira
Autor

João Pereira

João Pereira passou dez anos no buy-side em São Paulo cobrindo ações brasileiras e câmbio. Hoje escreve sobre o mercado para o investidor pessoa física.