Um levantamento do Datafolha divulgado na sexta-feira (16) reacendeu o debate sobre a regra de reeleição presidencial no país. A pesquisa mostra que 51% dos entrevistados defendem a adoção de um mandato único para a presidência da República, enquanto 46% preferem manter o sistema atual de quatro anos com possibilidade de reeleição.
O assunto voltou ao centro da agenda política após o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentar uma proposta de emenda constitucional que prevê a extinção da reeleição para presidente. O levantamento também registra respaldo amplo à duração do mandato: 76% dos brasileiros apoiam que o mandato presidencial tenha quatro anos independentemente de eventual vedação à recondução.
Detalhes da preferência por mandato único
Dentro dos 51% contrários à reeleição, o público se divide sobre a extensão ideal do mandato. Uma parcela de 30% opta por um mandato único de quatro anos enquanto 21% manifestam preferência por um mandato único de cinco anos. Ainda segundo o levantamento, 2% dos entrevistados não souberam opinar.
Recortes por região e intenção de voto
O apoio à manutenção do modelo de quatro anos com reeleição varia por região: no Nordeste atinge 49% no Sudeste fica em 47% no Sul em 46% e no Centro-Oeste e Norte em 41%. Nas simulações de segundo turno, há diferenças marcantes conforme intenção de voto: entre eleitores do presidente Lula (PT)59% preferem a regra atual; já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL)37% aprovam a manutenção do modelo vigente, 34% apoiam quatro anos sem reeleição e 27% defendem cinco anos sem recondução. Entre quem declara voto em branco ou nulo, 41% favorecem quatro anos sem reeleição.
Reação política e posicionamentos no Senado
No âmbito do Congresso, a proposta de Flávio Bolsonaro motivou pronunciamentos de lideranças. O senador Otto Alencar (PSD-BA) presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, afirmou: “Eu defendo essa bandeira do fim da reeleição” e argumentou que a alternância impediria que a frequência de eleições prejudique a qualidade da democracia. Por outro lado, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) declarou categórica oposição ao esquema apresentado pelo parlamentar: “Claro que vamos barrar” e pediu que a discussão ocorra dentro de uma reforma política mais ampla.
Fontes no Congresso lembram que há sensibilidade sobre alterações que afetem mandatos já em curso. Parlamentares destacam que o eleitor votou tendo em mente um mandato de quatro anos e que mudar essa expectativa poderia gerar resistência. Também há debates sobre propostas alternativas em tramitação que estabelecem mandatos únicos de cinco anos e preveem transições distintas para presidentes, governadores e prefeitos.
Sobre a pesquisa e registro
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.520 pessoas com 16 anos ou mais em 153 municípios de todas as regiões do país. As entrevistas foram realizadas nos dias 13 e 14 de outubro de 2026. A margem de erro citada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00466/2026.
Os números expostos mostram tanto a divisão sobre o mecanismo da reeleição quanto o consenso relativo quanto à duração do mandato. Enquanto parte do eleitorado defende preservação do atual formato, outra parcela apoia mudanças que alterem a possibilidade de recondução, sustentando um debate que segue em destaque no Congresso e entre dirigentes partidários.



