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17 setembro 2026

Pesquisadores desenvolvem fenômeno acústico inédito com aplicações revolucionárias

Pela primeira vez, cientistas chineses conseguiram criar e registrar imagens de um arco-íris sonoro, um fenômeno que separa ondas sonoras por frequência, semelhante a um arco-íris de luz.

Pesquisadores desenvolvem fenômeno acústico inédito com aplicações revolucionárias

Em um avanço revolucionário na física acústica, cientistas chineses conseguiram criar e registrar imagens de um arco-íris sonoro completo. Este fenômeno, que separa ondas sonoras por frequência de maneira análoga à decomposição da luz em um prisma, foi desenvolvido independentemente por duas equipes de pesquisa na China. A descoberta, destacada pela revista New Scientist abre novas possibilidades para o desenvolvimento de dispositivos acústicos mais precisos e sensores avançados.

O que é um arco-íris sonoro?

Um arco-íris tradicional surge quando a luz branca é separada em diferentes comprimentos de onda, revelando as cores do espectro visível. De maneira semelhante, o arco-íris sonoro separa ondas sonoras e vibrações conforme suas frequências, fazendo com que cada uma permaneça concentrada em uma posição específica do material. Na física, esse fenômeno é conhecido como arco-íris elástico pois envolve ondas mecânicas, e não luz.

Como os pesquisadores criaram o fenômeno

Duas equipes de pesquisa, lideradas por Riyi Zheng da Universidade de Tecnologia do Sul da China, e Yafeng Chen da Universidade de Tongji, conseguiram produzir o arco-íris sonoro utilizando diferentes materiais. A equipe de Zheng utilizou um chip de silício, enquanto a equipe de Chen desenvolveu um dispositivo semelhante em alumínio. Ambos os grupos criaram estruturas microscópicas com padrões cuidadosamente projetados, compostos por pequenos pilares triangulares. Esses padrões alteram a forma como as vibrações atravessam o material, fazendo com que ondas de diferentes frequências sigam trajetórias distintas e permaneçam separadas, formando o equivalente acústico de um arco-íris.

O papel dos fônons na descoberta

O experimento se baseia em partículas quânticas chamadas fônons que representam as vibrações existentes nos materiais sólidos. Normalmente, essas vibrações se espalham de forma desordenada. Nos novos dispositivos, porém, a geometria microscópica faz com que os fônons mudem de direção e velocidade durante o percurso, separando-se conforme a frequência. Inspiradas na forma como elétrons podem ser controlados por campos eletromagnéticos, as duas equipes conseguiram reproduzir esse efeito apenas por meio da estrutura física dos materiais.

Visualização e aplicações futuras

Para comprovar o fenômeno, a equipe de Chen utilizou ondas ultrassônicas, inaudíveis para os seres humanos, iluminadas por um laser, permitindo fotografar a separação das vibrações. Esse registro visual confirma a eficácia do design estrutural em organizar o fluxo de energia sonora. Embora a pesquisa ainda esteja em estágio experimental, especialistas afirmam que controlar vibrações com esse nível de precisão pode abrir novas possibilidades para diferentes áreas da tecnologia.

Entre as aplicações mencionadas estão filtros capazes de separar diferentes frequências de vibração, dispositivos ultracompactos para controle de ondas sonoras, sensores mecânicos de alta sensibilidade, roteadores para ondas ultrassônicas e sistemas capazes de captar energia a partir de vibrações. Os resultados também podem contribuir para estudos em física quântica e na investigação de fenômenos relacionados à relatividade em novos tipos de materiais.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.