Entre a sexta-feira, 9 de outubro, e a segunda-feira, 12 de outubro, o Brasil viveu um dos feriados mais movimentados do calendário religioso: o de Nossa Senhora Aparecida. Em razão da concentração de peregrinos rumo ao Santuário Nacional de Aparecida (SP) e ao Círio de Nazaré (PA), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acionou a Operação Nossa Senhora Aparecida 2026 reforçando a presença nas principais rodovias federais do país.
Os números divulgados na terça-feira, 13, revelam um cenário dramático: 68 mortes e 969 feridos foram registrados em 926 acidentes nas rodovias federais durante o feriado. Ao todo, a corporação fiscalizou 124.899 pessoas e veículos prendeu 356 indivíduos e apreendeu 2,2 toneladas de maconha e 34 kg de cocaína. Esses dados, ainda preliminares, ainda podem sofrer ajustes, mas já apontam para um dos períodos mais críticos já observados nas estradas brasileiras.
Resultados gerais da Operação Nossa Senhora Aparecida 2026
A ação, que concentrou esforços sobretudo nos corredores da BR-116 (São Paulo) e da BR-316 (Pará), visou garantir a segurança dos romeiros e coibir práticas ilícitas. O balanço mostrou que, apesar do volume intenso de tráfego, não houve acidentes graves envolvendo os peregrinos nos trechos mais utilizados. Contudo, a soma de 926 ocorrências – incluindo colisões, capotamentos e atropelamentos – revela que a movimentação – tanto de veículos particulares quanto de ônibus de turismo – trouxe desafios significativos para a segurança viária.
Além das vítimas humanas, a operação registrou 356 detenções e a apreensão de substâncias ilícitas que totalizam mais de duas toneladas de maconha e dezenas de quilos de cocaína. Esses resultados reforçam o papel da PRF não apenas como agente de trânsito, mas também como força de combate ao tráfico nas rodovias que cruzam o território nacional.
Fiscalização de velocidade, álcool e infrações de trânsito
Um dos focos da operação foi o controle rigoroso da velocidade. Foram identificados 22.077 veículos circulando acima do limite permitido nas rodovias federais, o que indica um padrão de risco elevado durante o feriado. Além disso, 3.981 autuações por ultrapassagens irregulares e 400 multas por falta do dispositivo de retenção para crianças (cadeirinhas) foram lançadas.
O combate ao álcool ao volante também recebeu atenção especial: 747 motoristas foram autuados por recusar o teste do etilômetro, por apresentarem sinais de embriaguez ou por efetivamente excederem o limite legal de álcool. Foram realizados 43.868 testes de alcoolemia ao longo dos quatro dias. Um caso emblemático foi o de um motorista detido após atingir três peregrinos na BR-116 em Taubaté (SP), no domingo, 11. O bafômetro registrou 0,66 mg de álcool por litro de ar alveolar – o dobro do limite considerado crime – resultando na prisão do condutor, embora nenhum dos romeiros tenha ficado gravemente ferido.
Em Rio Grande do Sul um comando de radar, com duração inferior a três horas, registrou 190 veículos em velocidade excedida nas BRs 116, 290 e 448. Entre eles, um motorista circulava a 178 km/h em trecho com limite de 100 km/h, evidenciando a necessidade de fiscalização intensiva em rotas de alta circulação durante feriados prolongados.
Situação nos principais corredores e no estado do Rio de Janeiro
Nos corredores mais críticos – a BR-116 (Rodovia Presidente Dutra) e a BR-316 – a operação registrou que os romeiros transitaram sem sofrer acidentes graves, demonstrando que as ações preventivas foram efetivas nesses trechos. Contudo, no estado do Rio de Janeiro, o panorama foi diferente: 91 acidentes deixaram 92 feridos e 13 mortes além de 2.026 multas aplicadas, 30 detenções e a recuperação de sete veículos. Esses números ressaltam que, apesar dos esforços concentrados em São Paulo e Pará, outras regiões ainda enfrentam sérios desafios de segurança viária durante o feriado.
Em síntese, a Operação Nossa Senhora Aparecida 2026 trouxe à tona a complexa relação entre a mobilização religiosa, o tráfego intenso e a necessidade de rigorosas medidas de fiscalização. Enquanto o número de vítimas fatais e feridos permanece alarmante, os resultados também mostram a eficácia de ações coordenadas de controle de velocidade, álcool e tráfico de drogas, que podem servir de modelo para futuras intervenções em períodos de alta demanda nas estradas brasileiras.



