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1 novembro 2026

Zelensky rompe cessar-fogo e exige mais mísseis Patriot dos EUA

Ucrânia volta a atingir refinarias russas, cobre Patriots dos EUA e acusa limitação deliberada do Starlink após trégua falhada.

Zelensky rompe cessar-fogo e exige mais mísseis Patriot dos EUA

Na madrugada desta quinta-feira, forças ucranianas lançaram um ataque de grande escala contra a refinaria de Ryazan localizada ao sudeste de Moscou. O governador da região, Pavel Malkov, confirmou via Telegram que drones foram empregados e que o incidente provocou um incêndio na planta, cujos danos ainda estão sob avaliação. “Os danos materiais estão sendo avaliados neste momento”, escreveu o dirigente russo, acrescentando que equipes de emergência já atuam no local.

O incidente marca o fim de uma breve interrupção nos bombardeios a instalações energéticas russas, inicialmente anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo. Na ocasião, o mandatário norte-americano sugeriu um cessar-fogo energético como forma de conter a alta dos preços globais de diesel, culpando a Ucrânia pelos aumentos. No entanto, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou frustração crescente com a medida, alegando que a pausa não havia sido acordada formalmente por Moscou nem por Kiev.

Zelensky impõe condição: mais Patriots e fim da restrição de inteligência

Em entrevista ao Financial Times publicada nesta quinta-feira, Zelensky declarou que a paciência da Ucrânia havia se esgotado e que a restrição aos ataques foi oficialmente encerrada. “A restrição (ao ataque a refinarias) acabou. Chega”, afirmou o presidente. O líder ucraniano também condicionou a retomada das operações à entrega de novos sistemas Patriot fabricados nos Estados Unidos, descrevendo-os como o “mínimo aceitável” para restabelecer o equilíbrio militar. Segundo Zelensky, a Rússia continua a bombardear a infraestrutura energética ucraniana, deixando cerca de 600 mil pessoas sem energia elétrica na quarta-feira (14).

Bloqueio de inteligência e redução de serviço do Starlink

Zelensky acusou Washington de ameaçar cortar o fluxo de inteligência militar se Kiev não suspendesse os ataques a alvos russos. Ele relatou que autoridades americanas teriam avisado os homologados ucranianos de que o acesso a dados de vigilância seria bloqueado, a menos que a pausa fosse mantida. “Não foi um problema técnico, foi uma decisão deliberada”, destacou o presidente, refutando a explicação de falha no Starlink apresentada pelos EUA.

Paralelamente, o governo ucraniano apontou que a velocidade do serviço militar Starshield – versão de defesa do Starlink, controlada pelo governo dos Estados Unidos – foi reduzida em todo o território nacional. Elon Musk, em postagem no X, confirmou que o controle de limites de velocidade cabe ao governo americano, e que a restrição foi deliberada. Essa redução comprometeu tanto as comunicações da linha de frente quanto a capacidade de lançar ataques de médio alcance contra alvos militares russos.

Repercussões políticas e econômicas

A retomada dos bombardeios ocorre num momento em que Washington tenta estabilizar os preços dos combustíveis globais. No sábado, Trump solicitou a substituição de Zelensky e criticou vigorosamente os ataques ucranianos a refinarias russas, logo após anunciar um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia. O presidente americano ligou a iniciativa à necessidade de conter a escalada dos preços, que dispararam após o início das hostilidades envolvendo os EUA e Israel contra o Irã em fevereiro.

Enquanto isso, autoridades ucranianas relatam que não receberam alertas prévios sobre o deslocamento de mísseis balísticos russos nos últimos dias, o que reforça a percepção de que o apoio logístico dos EUA está sendo condicionado a decisões estratégicas de Kiev. O panorama atual indica um endurecimento nas relações entre Kiev e Washington, com a Ucrânia demandando maior apoio ofensivo e a América pressionando por contenção de ataques que possa impactar o mercado energético mundial.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.