Na madrugada desta quinta-feira, forças ucranianas lançaram um ataque de grande escala contra a refinaria de Ryazan localizada ao sudeste de Moscou. O governador da região, Pavel Malkov, confirmou via Telegram que drones foram empregados e que o incidente provocou um incêndio na planta, cujos danos ainda estão sob avaliação. “Os danos materiais estão sendo avaliados neste momento”, escreveu o dirigente russo, acrescentando que equipes de emergência já atuam no local.
O incidente marca o fim de uma breve interrupção nos bombardeios a instalações energéticas russas, inicialmente anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo. Na ocasião, o mandatário norte-americano sugeriu um cessar-fogo energético como forma de conter a alta dos preços globais de diesel, culpando a Ucrânia pelos aumentos. No entanto, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou frustração crescente com a medida, alegando que a pausa não havia sido acordada formalmente por Moscou nem por Kiev.
Zelensky impõe condição: mais Patriots e fim da restrição de inteligência
Em entrevista ao Financial Times publicada nesta quinta-feira, Zelensky declarou que a paciência da Ucrânia havia se esgotado e que a restrição aos ataques foi oficialmente encerrada. “A restrição (ao ataque a refinarias) acabou. Chega”, afirmou o presidente. O líder ucraniano também condicionou a retomada das operações à entrega de novos sistemas Patriot fabricados nos Estados Unidos, descrevendo-os como o “mínimo aceitável” para restabelecer o equilíbrio militar. Segundo Zelensky, a Rússia continua a bombardear a infraestrutura energética ucraniana, deixando cerca de 600 mil pessoas sem energia elétrica na quarta-feira (14).
Bloqueio de inteligência e redução de serviço do Starlink
Zelensky acusou Washington de ameaçar cortar o fluxo de inteligência militar se Kiev não suspendesse os ataques a alvos russos. Ele relatou que autoridades americanas teriam avisado os homologados ucranianos de que o acesso a dados de vigilância seria bloqueado, a menos que a pausa fosse mantida. “Não foi um problema técnico, foi uma decisão deliberada”, destacou o presidente, refutando a explicação de falha no Starlink apresentada pelos EUA.
Paralelamente, o governo ucraniano apontou que a velocidade do serviço militar Starshield – versão de defesa do Starlink, controlada pelo governo dos Estados Unidos – foi reduzida em todo o território nacional. Elon Musk, em postagem no X, confirmou que o controle de limites de velocidade cabe ao governo americano, e que a restrição foi deliberada. Essa redução comprometeu tanto as comunicações da linha de frente quanto a capacidade de lançar ataques de médio alcance contra alvos militares russos.
Repercussões políticas e econômicas
A retomada dos bombardeios ocorre num momento em que Washington tenta estabilizar os preços dos combustíveis globais. No sábado, Trump solicitou a substituição de Zelensky e criticou vigorosamente os ataques ucranianos a refinarias russas, logo após anunciar um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia. O presidente americano ligou a iniciativa à necessidade de conter a escalada dos preços, que dispararam após o início das hostilidades envolvendo os EUA e Israel contra o Irã em fevereiro.
Enquanto isso, autoridades ucranianas relatam que não receberam alertas prévios sobre o deslocamento de mísseis balísticos russos nos últimos dias, o que reforça a percepção de que o apoio logístico dos EUA está sendo condicionado a decisões estratégicas de Kiev. O panorama atual indica um endurecimento nas relações entre Kiev e Washington, com a Ucrânia demandando maior apoio ofensivo e a América pressionando por contenção de ataques que possa impactar o mercado energético mundial.



