Ir para o conteúdo
24 setembro 2026

Caso Kathlyn Becker: morte misteriosa na Croácia e investigação da PF

Jovem de Ji-Paraná, que buscava trabalho na Europa, foi encontrada morta em Zagreb e o caso segue sem respostas.

Caso Kathlyn Becker: morte misteriosa na Croácia e investigação da PF

A Polícia Federal (PF) está à frente das investigações sobre o falecimento de Kathlyn Izabel Becker de 28 anos, cujo corpo foi localizado em um quarto de hotel na capital croata, Zagreb, ainda em agosto. O fato reacendeu as atenções sobre a vulnerabilidade de jovens que embarcam em promessas de emprego no exterior e, ao mesmo tempo, evidenciou as dificuldades de acompanhamento jurisdicional quando o cidadão brasileiro está fora do país.

Viagem motivada por necessidade familiar

Kathlyn era moradora de Ji-Paraná, interior de Rondônia, e decidiu partir rumo à Europa com o objetivo de conquistar um cargo que lhe permitisse arrecadar recursos para o osteomielite que afeta o pai. A promessa era de um emprego na Sérvia, mas ao chegar descobriu que a vaga já havia sido preenchida. Segundo relatos da mãe, Geruza Becker, a jovem foi então conduzida para a Croácia por pessoas ainda não identificadas, mantendo viva a esperança de encontrar outra oportunidade.

Desaparecimento, descoberta do corpo e primeiras providências

O desaparecimento de Kathlyn ficou evidente no domingo, 23 de agosto, quando a jovem deixou de estar online nas redes sociais, gerando alarme na família. Quatro dias depois, os parentes procuraram a Embaixada do Brasil em Zagreb e foram informados de que o corpo havia sido encontrado em um quarto de hotel no dia 22 de agosto. A certidão de óbito, emitida em 4 de setembro, apontou causa “desconhecida”. Em 27 de agosto, a família entrou novamente em contato com a missão diplomática, que confirmou a informação e informou que o caso havia sido registrado junto à Polícia de Zagreb com a apreensão dos pertences de Kathlyn para a investigação.

Para levar o cadáver ao Brasil, a família organizou uma campanha de arrecadação que possibilitou o traslado até Porto Velho, capital de Rondônia, onde, em 13 de setembro, o corpo foi submetido a nova necropsia no Instituto Médico Legal (IML) do estado, a pedido da PF. O exame brasileiro corroborou a conclusão anterior, indicando causa “indeterminada”. O atraso de mais de 20 dias entre o falecimento e a autópsia, aliado ao fato de o corpo ter sido submetido a embalsamamento na Croácia e depois em São Paulo, dificultou a determinação da causa da morte.

Instâncias investigativas e apoio jurídico

O advogado da família, Joaci Ferreira da Silva, encaminhou requerimentos formais à embaixada e ao IML de Zagreb, solicitando cópia integral do laudo de necropsia e dos exames laboratoriais. O órgão croata informou que os resultados deverão ficar prontos em três a quatro meses, e que a liberação final dependerá de pedido ao Ministério Público de Zagreb. Paralelamente, amostras biológicas foram enviadas à Polícia Técnico-Científica (Politec) para exames toxicológicos, cujos resultados ainda são aguardados pela PF.

Com recursos limitados, a família também buscou assistência jurídica internacional. O advogado acionou a Defensoria Pública da União (DPU), requerendo apoio pro bono para obter representação legal na Croácia e acesso ao inquérito policial. A DPU ainda analisa o pedido, enquanto a embaixada esclareceu que sua atuação se restringe a questões consulares, não podendo intervir em procedimentos criminais.

Vasco Sousa
Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.