O primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 4 de outubro, terminou sem a maioria absoluta, levando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ao confronto definitivo marcado para 25 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 47,03% dos votos válidos para Bolsonaro – cerca de 56.103.033 eleitores – e 45,16% para Lula, equivalentes a 53.870.724 votos. Até as 23h21, 99,99% das urnas já haviam sido totalizadas.
Com a disputa se encaminhando para o segundo turno a primeira-dama Janja Lula da Silva intensificou sua campanha nas redes sociais, acusando o adversário de promover medidas que, segundo ela, poderiam retroceder direitos conquistados. Em um vídeo divulgado na última semana, Janja repetiu a frase: “2º turno é um novo jogo” indicando que a fase final será decisiva para o futuro do país.
A ofensiva da primeira-dama: direitos trabalhistas e sociais em xeque
Janja ressaltou que Flávio Bolsonaro pretende “enterrar” o fim da escala 6 × 1 defendendo uma jornada que poderia estender o trabalho para sete dias seguidos. “Sabe o fim da escala 6 × 1? Ele vai enterrar, acabar. Nós queremos que você descanse, que tenha tempo com a sua família. Ele quer que você trabalhe sete dias por semana”, afirmou a primeira-dama, usando o tom de alerta para reforçar a importância do descanso semanal.
Além da questão da jornada, Janja mencionou a possibilidade de extinção do programa Farmácia Popular caso Bolsonaro venha a ocupar a presidência. Ela também vinculou o candidato a um suposto aumento no acesso a armas e a um retrocesso nos direitos das mulheres, citando declarações anteriores nas quais dizia que votar em Flávio seria “permitir que mulheres sejam silenciadas”.
Posicionamento de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno
Em coletiva de imprensa realizada às 21h40 no Hotel Renaissance localizado na Avenida Paulista, em São Paulo, Flávio Bolsonaro comemorou a Vitória parcial, destacando que “o Brasil quer mudança”. O senador lembrou que quase 56 milhões de brasileiros confiam nele para “um governo moderno, com menos ministérios” e enfatizou seu compromisso de acabar com a reeleição, declarando: “eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição”.
Ele ainda prometeu indicar ao menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal garantindo que não interferirão nas eleições. Bolsonaro projetou que, em duas semanas o país terá a oportunidade de responder de forma definitiva ao pedido de mudança popular.
Lula e a estratégia para o duelo final
Lula, que discursou por volta das 21h40 também, agradeceu o apoio e reconheceu que esperava vencer no primeiro turno. Contudo, enfatizou que “o segundo turno é a hora da prova dos nove” e que aproveitará o período restante – “a partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha” – para reforçar a visão de um Brasil que não pode retroceder. Em suas palavras, o adversário representa “uma biografia de um passado tenebroso”, enquanto o PT oferece um horizonte de continuidade nas conquistas sociais.
Entre as referências feitas por Janja, destaca-se o episódio de setembro em Belém, onde ela comparou Flávio Bolsonaro a “Bozo filho” e reforçou a diferença entre as trajetórias políticas das duas famílias. Essa batalha de narrativas deve permanecer intensa até o dia 25 de outubro, quando o eleitor terá a última palavra.



