Na manhã da sexta-feira, 9 de outubro de 2026, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a abertura de um processo judicial contra a revista Veja e contra o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A medida foi divulgada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador político do comitê de campanha para o segundo turno, que afirmou que o departamento jurídico já foi acionado para responder à matéria que, segundo ele, não apresenta provas concretas.
No quartel-general da campanha, situado no Lago Sul de Brasília, Camilo classificou a reportagem como farsa e acusou a publicação de ter como objetivo desviar a atenção das supostas ligações entre Flávio Bolsonaro do PL, e Vorcaro. O senador ainda alegou que existe um “acordão” que estaria beneficiando Vorcaro, preso desde março daquele ano, e que cabe a Flávio prestar explicações, chamando-o de mentiroso.
Acusações da revista e respostas das instituições
A edição da Veja que saiu na mesma sexta-feira trazia a afirmação de que Vorcaro teria declarado, em proposta de delação à PGR ter efetuado pagamentos em dinheiro ao Instituto Lula. Segundo a publicação, o empresário teria negociado com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto repasses de aproximadamente R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre o presidente. A revista ainda sustentava que os recursos teriam sido trocados por acesso a fundos de pensão de servidores federais, mas que o caso não avançou por falta de provas. Um áudio atribuído a Vorcaro também foi divulgado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) respondeu que as negociações para um acordo de colaboração premiada foram conduzidas por advogados contratados por Vorcaro, sem contato direto entre o investigado e representantes da PGR. Segundo a PGR, não houve depoimento oral porque a proposta foi rejeitada, e a decisão foi comunicada à defesa. Já a Polícia Federal declarou que Vorcaro não prestou depoimento nem entregou documentos que confirmassem o teor da matéria, e que as propostas de colaboração apresentadas não atenderam aos requisitos legais, resultando na sua rejeição.
Em notas à imprensa, a defesa de Vorcaro, representada por advogados do Grupo Prerrogativas, contestou a autenticidade do áudio divulgado pela revista, afirmando que não reconhecem sua origem nem integridade. A defesa também reforçou que Vorcaro não participou de qualquer depoimento perante a PF ou a PGR durante as tratativas de delação.
Reação da campanha de Lula e estratégia para o segundo turno
A coligação “Brasil Pronto Para Mais” classificou a matéria como “peça eleitoral irresponsável“, segundo seu coordenador-geral Edinho Silva. A equipe acusou a revista de publicar sem comprovações, mesmo alegando possuir áudios e documentos. Para a campanha, a publicação representa uma tentativa de retaliação de Vorcaro, que buscaria benefícios em eventuais negociações de poder e, ao mesmo tempo, proteger Flávio Bolsonaro.
Flávio, por sua vez, confirmou ter procurado recursos com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse“, que retrata seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em maio, o Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens que, segundo o site, mostrariam o senador negociando um repasse de US$ 24 milhões – cerca de R$ 134 milhões – com o banqueiro. Advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do Grupo Prerrogativas, solicitaram à PF investigação sobre uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio, e o pedido foi encaminhado à área técnica.
No mesmo dia da sexta-feira, 9 de outubro, Lula afirmou em entrevista coletiva que o Brasil não será novamente governado por “sócios do Master” ou “parentes do Vorcaro“, enquanto Flávio respondeu acusando o petista de receber propina. A campanha de Lula explicou que a presença de Camilo Santana no comando não significa troca de comando, mas reforço da comunicação ao lado de Rafael Fonteles (governador reeleito do Piauí) e do senador Rui Costa (Bahia). Edinho Silva continua como coordenador-geral.
O objetivo declarado da equipe é recuperar no Nordeste os votos perdidos em 2022. Camilo citou a abstenção no Vale do Jequitinhonha, onde Lula não esteve no primeiro turno, como ponto de partida para uma comparação município a município nos dois turnos. A nova estratégia de comunicação, testada nesta sexta-feira, deve ser repetida ao longo da campanha do segundo turno.



