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1 novembro 2026

Polêmicas envolvendo Flávio Bolsonaro, SUS, Pix e eletrochoque

Descubra como figuras públicas usam o medo do SUS, do Pix e de tratamentos de autismo para atacar Flávio Bolsonaro, entre citações e documentos da Conitec.

Polêmicas envolvendo Flávio Bolsonaro, SUS, Pix e eletrochoque

Desde que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro obteve mais votos que Lula no primeiro turno, alguns nomes de destaque da esquerda embarcaram em ofensivas que misturam dramatização e distorção de fatos. As falas, divulgadas em redes sociais, abordam três pilares sensíveis da sociedade brasileira: o SUS o sistema de pagamentos instantâneos Pix e a suposta proposta de eletrochoque para crianças autistas.

Acusações ao SUS e respostas contraditórias

O ex-deputado Jean Wyllys que concorreu pelo PT em São Paulo, usou o Instagram para lançar um ataque direto aos eleitores de direita. Em um post, escreveu que sua diversão seria “mandar a real a pobre fodido de direita eleitor de Flávio Bolsonaro”, citando a estratégia da “pedagogia do choque” para reverter o que chama de lavagem cerebral. Em seguida, reproduziu a fala de uma pessoa que, após insultar Lula, declarou apoio incondicional a Flávio, ao que Wyllys respondeu: “Parabéns, seu fim está próximo, já que ele vai acabar com o SUS. Às portas do inferno, lembre-se disto”. A Folha não recebeu resposta ao contato com o ex-deputado.

Em setembro, um encontro reuniu conselheiros de saúde vinculados a Flávio e a Lula – o médico Cláudio Lottenberg potencial ministro do PL, e Alexandre Padilha atual ministro da Saúde do PT. Ambos defenderam a mesma visão: o SUS seria uma “estrutura vitoriosa” que necessita de aprimoramento, mas não de reforma profunda. Essa convergência demonstra que, apesar da retórica de ruptura, há consenso entre alguns técnicos sobre a importância do sistema público de saúde.

Pix sob ameaça: mitos e declarações internacionais

A historiadora Lilia Schwarcz com 683 mil seguidores no Instagram, lançou um vídeo alertando que “Flávio Bolsonaro vai acabar com o Pix” caso seja eleito. Ela justificou a preocupação citando o posicionamento do ex-presidente norte-americano Donald Trump que já manifestou desconfiança em relação ao Pix. Schwarcz explicou que não se trata de eliminação total, mas de medidas que “podem minar o funcionamento, comprometendo a eficiência do Pix”.

O próprio candidato tem reiterado que manterá o sistema de pagamentos se assumir o cargo. Em julho, enviou ao governo americano um dossiê que apresentava o Pix como um dos marcos da gestão anterior de Jair Bolsonaro, buscando vantagens comerciais. Assim, há divergência entre a retórica de ameaças e a postura oficial de preservação do serviço.

Eletrochoque em debate: o que realmente diz a Conitec?

Um vídeo de 2022, recentemente reativado nas redes, mostra o influenciador Felipe Neto perguntando: “É verdade que o governo Bolsonaro propôs eletrochoque em crianças autistas?”. Sua resposta – “É, é verdade” – levanta suspeitas, mas não reflete uma decisão oficial. O documento citado trata-se de um pré-relatório elaborado em 2021 pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), com contribuição de especialistas da Unifesp e representantes do Ministério da Saúde.

Esse material mencionou a existência da eletroconvulsoterapia (ECT) como opção de último recurso para casos graves de agressividade no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Contudo, ficou claro que a técnica não foi recomendada no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) servindo apenas para registrar que a literatura médica contempla tal abordagem. Em março de 2021, Afzal Javed presidente da Associação Mundial de Psiquiatria, e Antônio Geraldo Silva da Associação Brasileira de Psiquiatria, defenderam a ECT como “uma das técnicas mais eficazes e seguras” para certos transtornos, sem sugerir sua adoção generalizada.

A atualização do protocolo foi submetida à consulta pública e, em novembro do mesmo ano, analisada na 103ª Reunião da Conitec. A professora de ciências farmacêuticas da Unifesp, Daniela de Oliveira Melo esclareceu que “não houve interferência política no desenvolvimento do PCDT” e que a inclusão da ECT foi feita a pedido dos especialistas, apenas para deixar registrado que a opção existe na literatura.

O médico Thiago Castro com 1,8 milhão de seguidores, rebateu o vídeo de Felipe Neto, classificando-o como fake news e acusando o influenciador de pânico indevido. Neto respondeu chamando-o de “bolsonarista” e rotulando o conteúdo como “videozinho mentiroso”. Mais de 50 entidades enviaram notas de protesto ao Ministério da Saúde após a divulgação do documento preliminar, reforçando a importância da revisão externa na construção dos PCDT.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o documento preliminar era parte de um processo de avaliação da Conitec e que as contribuições da sociedade seriam consideradas na proposta final. Essa troca de acusações e esclarecimentos demonstra como temas técnicos podem ser transformados em armas políticas, sobretudo quando são envolvidos por figuras públicas com grande alcance nas redes.

Rafael Lima
Autor

Rafael Lima

Rafael Lima foi gestor de portfólio em asset manager brasileira e hoje escreve sobre alocação estratégica, rebalanceamento e gestão de risco para pequenos investidores.