Na noite de 18 de outubro o primeiro duelo direto entre Lula e Flávio Bolsonaro foi transmitido pela Rede Bandeirantes. Enquanto o programa ocorria em tempo real, duas comunidades digitais lutavam por visibilidade: o Exército do Lula administrado pelo deputado André Janones e a Tropa do Flávio criada por Nikolas Ferreira e Pablo Marçal. Ambas utilizavam o WhatsApp como principal ferramenta de coordenação, enviando instruções de compartilhamento, memes e sugestões de hashtags.
Exército do Lula: pausa por motivo de saúde e estratégia de buscas
Por volta das 0h40 de segunda-feira, o grupo perdeu a movimentação habitual. A interrupção ocorreu porque Janones foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star após sofrer uma arritmia cardíaca, conforme relatado por médicos da equipe, liderada pela cardiologista Ludhmila Hajjar. O parlamentar permanece clinicamente estável, porém sob monitoramento contínuo.
Antes de ser levado ao hospital, Janones enviou ao canal um link de reportagem que explicava a estratégia da militância petista. Ele orientou os quase 5,4 milhões de membros a pesquisar no Google os termos “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”. O objetivo, segundo a mensagem, era fazer com que essas expressões subissem nas tendências do Google Trends já que a Band anunciava as buscas mais frequentes ao vivo.
Resultados nas buscas
Os números verificados às 22h48 mostraram um salto expressivo: “Flávio miliciano” recebeu mais de 500 mil buscas, “Flávio Comando Vermelho” ultrapassou 100 mil e “Flávio Ana Clara” também superou a mesma marca. Cada termo cresceu mais de 1.000% em relação ao período anterior. Outras consultas relacionadas, como “Flávio rachadinha” e “Flávio Vorcaro”, também apareceram entre as principais tendências, embora não tenha sido possível quantificar quantas buscas foram diretamente provocadas pelos encaminhamentos do grupo.
Além das buscas, Janones incentivou o uso de hashtags no X (antigo Twitter). Entre 21h41 e 22h21 foram divulgadas as tags #ProsperidadeSoComLula#AbreOSigiloFlavio#LulaDeuShow e #LulaVenceDebateDaBand. A última alcanzou aproximadamente 24 mil encaminhamentos e 66 mil reações, posicionando-se entre os assuntos mais comentados da rede naquele momento.
Tropa do Flávio: contra-ataque digital e disputa judicial
Paralelamente, a Tropa do Flávio enviou instruções para que seus integrantes pesquisassem termos como “Lula ladrão”, “Lulinha ladrão” e “Lula sócio da Roberta”. O recado dizia: “Compartilhem esta mensagem e confiram as informações por conta própria”. O grupo também promoveu o compartilhamento de cortes de vídeo que favoreciam o senador, além de estimular a publicação de frases que respondiam ao ataque de Lula, que o descreveu como “malandro carioca”.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a suspender o Exército do Lula a pedido da campanha de Flávio, alegando disseminação de boatos e “missões” de compartilhamento em massa. A decisão foi revertida pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva**, que permitiu a continuidade do grupo desde que fosse registrado como canal oficial dentro de 48 horas. O Tropa do Flávio, por sua vez, continuou ativa sem interrupções judiciais, acompanhando o debate diretamente do estúdio ao lado de figuras como o governador eleito Tarcísio de Freitas e os senadores Guilherme Derrite e André do Prado.
Ambas as frentes digitais demonstram a crescente importância das plataformas de mensagem instantânea na estratégia de campanha. Enquanto o Exército do Lula ficou temporariamente silencioso devido à internação de seu líder, a Tropa do Flávio manteve o ritmo de publicações, reforçando a disputa de narrativas que se desenrola não apenas nas telas da TV, mas também nos feeds e nas buscas online.



