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1 novembro 2026

Milão vive saques; governo pensa prisão preventiva de menores

Protestos violentos em Milão fecharam vitrines de marcas de luxo e desencadearam o debate sobre prisão preventiva de menores.

Milão vive saques; governo pensa prisão preventiva de menores

Na manhã de segunda-feira, o coração comercial de Milão mostrava sinais de alerta: lojas da Via Montenapoleone, lar de casas como Chanel, Tiffany e Dior, fecharam as portas mais cedo ou cobriram as vitrines com painéis de madeira. A medida foi tomada após dois dias de manifestações que evoluíram de protestos pacíficos para confrontos intensos com a polícia, incêndios em lixeiras e saques em estabelecimentos como Decathlon, Arc’teryx e a operadora Vodafone.

As autoridades registraram 271 detenções em Milão durante o domingo, incluíndo 23 menores de idade e 13 estrangeiros. Desses, 32 foram mantidos presos. Nas cidades vizinhas — Bolonha, Brescia, Bérgamo e Turim — outros 28 manifestantes foram aprisionados, segundo boletim policial. A onda de protestos, que começou na França, espalhou-se pela Europa, trazendo à tona exigências sobre o custo de vida, a qualidade dos serviços públicos e o acesso à educação.

Impacto direto no comércio de luxo

Os comerciantes da chamada Quadrilátero da Moda reagiram à instabilidade com cautela. Além de fechar temporariamente, muitas marcas protegeram seus produtos retirando-os das vitrines. Um lojista descreveu a situação como um “clima de apreensão”, enquanto funcionárias de uma unidade da Intimissimi relataram estar preparadas para trancar o estabelecimento caso a violência se intensifique novamente. A presença de um furgão da polícia na rua Manzoni reforçou a sensação de insegurança que circulava entre os trabalhadores do setor.

O fechamento das vitrines teve repercussão não apenas econômica, mas também simbólica. O Vale da Moda, considerado um dos locais comerciais mais valiosos do planeta, viu seu fluxo de turistas drasticamente reduzido, com apenas um pequeno número de visitantes circulando pela região enquanto as forças de ordem mantinham patrulhas constantes.

Reação do governo e propostas legislativas

Em resposta ao clima de violência, a primeira-ministra Giorgia Meloni convocou, na segunda-feira, uma reunião de gabinete com ministros da segurança e comandantes das forças de ordem. Em seu discurso nas redes sociais, a líder do governo afirmou que “manifestar-se é um direito. Devastar nossas cidades não é”, e acusou os opositores políticos de não condenarem suficientemente os atos delituosos.

Segundo informações vazadas, o governo está analisando a extensão da prisão preventiva para menores de idade, medida que ainda não faz parte da legislação italiana. A proposta, ainda em fase de discussão, buscaria “antecipar algumas provisões de um projeto de lei já em trâmite no Parlamento”, com o objetivo de coibir a delinquência juvenil organizada em grupos. A ministra da Justiça ainda não se pronunciou oficialmente, mas a expectativa é de que novas propostas sejam apresentadas em reunião marcada para o dia seguinte.

A líder do Partido Democrata, Elly Schlein respondeu que seu movimento repudia a violência, mas alerta para que episódios extremos não sejam usados para delegitimar os manifestantes pacíficos que cobram melhor qualidade de vida. O debate tem ganhado ainda mais urgência, já que as eleições gerais estão previstas para o próximo ano, colocando pressão adicional sobre o executivo para apresentar respostas eficazes.

Enquanto o debate legislativo se desenvolve, as autoridades municipais, como o prefeito Giuseppe Sala, alertam para o caráter “internacional” do fenômeno, destacando que a mesma dinâmica de protestos e confrontos tem sido observada em cidades de diferentes continentes. O foco, segundo o governo, permanece em garantir a ordem pública sem cercear o direito de manifestação, um equilíbrio delicado que será testado nas próximas semanas.

Beatriz Santos
Autor

Beatriz Santos

Beatriz Santos cobre há oito anos temas de educação financeira para o investidor brasileiro: do Tesouro Direto a previdência privada.